Irreverência da celebração. Um soundsystem na rua basta para a cultura urbana explodir: moda, comida, dança, sons. Um espetáculo visual que só não traduz melhor a euforia do que uma simples e definitiva frase: “Whoo! Alright-Yeah…Uh Huh”.
O videoclipe da música do The Rapture funciona assim. Contradiz a desqualificação do videoclipe como expressão artística de entretenimento e veículo eficaz de divulgação musical. Para a MTV Brasil, que baniu vídeos, e com eles a música, de sua programação, o formato está fadado ao mundo digital, nicho internet. Equívoco.
Mais uma prova da inabilidade da indústria do entretenimento de lidar com a evolução dos tempos. O poder de escolha de quem curte, consome e produz música e videoclipe é a pauta da vez.
You Tube, Google Vídeo, Democracy Internet TV ou qualquer agregador de blogs prediletos nos permite a escolha do que assistir. O crescimento da utilização e a proliferação destes serviços e aplicações revelam interesse pelo formato vídeo. Audiência, então, não é problema.
Estagnação também não. Senão, o que Beck tinha em mente quando investiu na produção de 15 videoclipes, um para cada música do álbum The Information?
No Brasil, o Mundo Livre s/a partiu para a opção de vídeos genéricos. Liberou as músicas do “Bebadogroove Vol. 1 – garagesambatransmachine” para quem quisesse fazer um videoclipe. Assim foram produzidos “Laura Bush Tem Um Senhor Problema” e “Carnaval Inesquecível na Cidade Alta“.
Já os caras dos Beastie Boys deram câmeras Hi-8 a 50 fãs para eles filmarem um show da banda no Madison Square Garden, em 9 de outubro de 2004. O resultado está em “Awesome; I Fuckin’ Shot That!“, filme foi premiado na edição deste ano do Festival de Sundance.
Como se vê, não faltam opções de produção criativas e estratégicas, do ponto de vista mercadológico.
Convergência é a lição que precisa ser aprendida pelos que conduzem a indústria do entretenimento global.
Voltando ao Rapture, antes tarde do que nunca, é preciso dizer que a música dos punk-funkers também é matéria prima e combustível da chamada “new rave” – seja lá o que isso significa. Uma música que, por ser identificada com coisas plurais, tem a qualidade da convergência.
Tanto está no DNA da DFA Records, gravadora do cabeça dançante-pensante Jamers Murphy (salve LCD Soundsystem), como nas transfusões estilísticas da era do remix. É organicamente electro-dance-punk-disco-rock. Mantém as sirenes características das raves no talo, chamando a festa!
Com “Pieces of the People We Love”, seu segundo CD, The Rapture deu a new rave seu disco referencial.
O quarteto novaioquino aprendeu que uma boa festa, ou rave, é aquela que não repete fórmula. Assim deixaram o hype de lado e fizeram um álbum infinitamente superior ao Echoes, lançado em 2003 e conhecido pelo racha-assoalho “House of jealous lovers”.
Parte do mérito cabe ao trio de produtores, Danger Mouse (Gnarls Barkley), Ewan Pearson (guru inglês dos remixes. Franz Ferdinand, Ladytron etc) e Paul Epworth (Bloc Party). Cada qual adicionou matizes diversas ao drive nervoso do quarteto novaiorquino.
Latinidades (“Down for so long”), psicodelias (“Calling Me”, “The Sound, Live Sunshine”), veneno funk (“The Devil”), hipnose electro-rock com veia DFA (“Don Go Do iT”, “First Gear”). Tudo por instrumentações agudas, urgentes, baixo no talo, guitarras cheias de funk. Um carnaval sem fim. Hedonistas, vão às ruas com The Rapture!







vídeo excelente, incrível.
não tinha visto ainda.
Cara, esse CD é realmente foda. Festivo, urgente, necessário e comtemporâneo sem a idiotice do hype. Viva o Rapture!