Correu na blogosfera musical o boato de que a dupla que formava o power pop punk Carter USM, Les & Jim, escreveu algumas músicas do Arctic Monkeys. Quem soltou o veneno foi a newsletter de cobras fofoqueiras Popbitch. Até adaptação do logo dos Arctic Monkeys já fizeram, com a tipografia utilizada no logo do Carter USM. Olha só:

Acredito que isso não tenha acontecido. Em relação ao Carter USM, teve hype similar, com menos discos vendidos, ao Arctic Monkeys. E só isso. O novo xodó brit tem muito mais a ver com o Ned´s Atomic Dustbin, banda que encheu de pólvora punk a ressaca da acid house. Pois bem, a boataria só serviu para encorajar algumas linhas sobre o famigerado grupo, para não dizer que não falo de hype.
Do rebuliço Arctic Monkeys, desconfiava que fosse mais um capricho dos pastores da mídia inglesa e do rebanho indie nacional. E os próprios rapazes de sheffield me deram uma força com o nome do primeiro álbum: Whatever people say i am, that’s what i’m not. Não foram acríticos, creio.
O nome da banda também faz sentido. Uma espécie fora de seu habitat se promovida, como tentaram alguns, ao nível de ícone da música pop como The Clash, The Smiths, The Jam entre outras bandas referenciais. No disco, logo de prima, The View Form The Afternoon revela que estão mais para resposta inglesa ao The Strokes. Se os macacos polares não cabem no olimpo do rock, no reino de Gutemberg foram recebidos como heróis.
Com a fama e aprovação prévia vinda das comunidades virtuais, a imprensa saudou a banda com todas as honras e um título: heróis da revolução da música digital. E a força do hype empurrou goela abaixo a contradição daquilo que não evolui revolucionar.
Se por um lado é bem estimulante constatar que já não está nas mãos das corporações do entretenimento a chancela da produção musical, pelo outro é frustrante o comportamento arredio do público aos sons que subvertem padrões musicais. A revolução cairia melhor no colo de Panda Bear e seus amigos do Animal Collective. Não estaríamos conversando sobre rock, nem sobre folk, sobre formas musicais estabelecidas.
Ouvir o CD do Arctic Monkeys causa efeito de déjà vu. Os rapazes de Sheffield não vão além do padrão datado do guitar rock atual. É a tal nova velha música do indie rock que só se retroalimenta e que rende milhares de downloads na web. As reconstruções do Arctic Monkeys não têm vitalidade contemporânea. Dialogam com as estéticas passadas.
Há essa altura o espelho já me acusa de monstro, um anti-tudo. Antes que comece a pesar nos ombros a suspeita de que o avanço da idade ultrapassa o limite da rabugice, assumo, fácil, que, para o padrão rocker de hoje, o disco é acima da média. From The Ritz To The Buble, Still Take You Home, Fake Tales of San Francisco, I bet you look good on the dancefloor, Riot Van, Dance Shoes têm raros drive rocker, passagens funky e vocal visceral. Deram aquela fissura de aumentar o som, encher a cara, tocar air guitar. O velho ritual que o bom e velho rock´n´roll é capaz de produzir.
Melhor ouvir o Arctic Monkeys assim, com a pretensão de quem vai para noite. Fica mais próximo da subversão que só a diversão destila. Se não corre risco de no futuro ser lembrada como a banda que fez da revolução digital uma mera peça publicitária.







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