Vai, Patti Smith!

Patti Smith

Patti Smith versa sobre os males do terrorismo americano-israelita com a propriedade rara dos poetas malditos

“Apresentação física numa performance é mais importante do que o que você está dizendo. Qualidade dá bom resultado, é claro, mas se a sua qualidade intelectual é alta, seu amor pela platéia é evidente, e você tem uma forte presença física, pode fazer qualquer coisa impunemente”. Patti Smith em Mate-me, Por Favor – Uma História Sem Censura do Punk, por Legs Mc Neil e Gilliam Mc Gain – L&PM.

Estou de volta! Férias merecidas, embora curtinhas, e bateria recarregada! Tinha programado um podouvir randomizando os sons que embalaram os dias de ócio, mas fui atropelado pela newsletter que recebi de Patti Smith anunciando o lançamento de uma nova música, Qana, sobre o massacre promovido pelo exército de Israel na cidade libanesa.

A satisfação de conferir a atividade musical e política de Patti Smith é grande. Felicidade maior é saber que a poetisa do punk estará no Brasil para tocar no Tim Festival, em outubro. Para Impop, não tem Yeah Yeah Yeahs, Franz Ferdinand; Patti é o nome internacional do ano, apesar das sombras significativas que New Order e Gang of Four lançam sobre o calendário de shows internacionais no Brasil.

Voltando a nova música, Patti Smith pôs a sua arte mais uma vez a serviço da militância global contra a truculência do senhores da guerra. Em seu site protestou: “The Israeli practice of collective punishment is a war crime under the Geneva Convention. Why are they allowed to do this? Because they have our permission?”

Qana, música inédita, já está disponível para download no site de Patti. E só custa a leitura e reflexão sobre a destruição da cidade de Qana, no sul do Líbano, promovida pelo exército de Israel, em 30 de Julho. Segundo a Cruz Vermelha, levou a vida de 56 libaneses, incluindo pelo menos 34 crianças.

>> Baixe Qana, de Patti Smith

Se a correção política pode parecer óbvia – não há quem esteja alinhado com direitos humanos que aprove a barbaridade que vem sendo cometida no Líbano -, a expressão artística de Patti Smith transcende.

Ela versa sobre os males do terrorismo americano-israelita com a propriedade rara dos poetas malditos (alô Rimbaud, Ginsberg, Burroughs, Baudelaire) por um mantra hipnótico a base de três acordes ao violão e seu típico transe declamatório.

Mostrando-se em forma com seus dotes poéticos, Patti manda sua mensagem pacifista ao final da letra de Qana polemizando a referência bíblica sobre o milagre da transformação da água em vinho por Jesus Cristo na mesma Qana, há dois mil anos:

“Water to wine/ wine to blood/ ahh Qana/ the miracle is love”

Politizar aqui não é truque demagógico ou de marketing, mas um ato de reação sensitiva e intelectual. É assim que Patti Smith transforma poesia em protesto, sensível, visceral e sempre oportuno. Ela porta a inquietude que qualifica o rock como linguagem transgressora. É de responsa!

Que venha outubro, trazendo Patti Smith e sua história que pouco tem a ver com o conformismo de uma significativa parcela do rock atual.

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1 comentário

  1. Boa música em prol da humanidade, melhor dizendo, do que resta da humanidade!

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