Tributo a Joe Strummer

Tributo a Joe Strummer

Grafite em homenagem a Joe Strummer

A data de 22 de dezembro ficou marcada por uma lembrança triste. Das mais tristes. Foi o dia em que Joe Strummer se despediu tragicamente desse mundo, aos 50 anos, em 2002, vítima de um ataque cardíaco.

Dias antes, lembro de ter assistido ao filme Super 8 Stories, de Emir Kusturica, numa mostra de filmes no CCBB do Rio, no qual o líder do The Clash participou tocando “Police On My Back” com a No Smoking Orchestra, banda do cineasta sérvio, e “depondo” a favor da música miscigenada, eleita por ele como tendência musical do futuro.

No contexto do filme, Joe se referia aos híbridos explosivos que derivam das colisões entre música balcã e vertentes diversas da música pop contemporânea. Experimentos mestiços que o The Clash levou muito a sério durante sua carreira de 10 anos, de 1976 a 1986, e seis discos. Uma obra multicultural que continua influenciando gerações de músicos e artistas, passados mais de 30 anos. E não apenas pelo seu poder transformador, do ponto de vista musical.

As platéias do The Clash se nutriam da militância política encabeçada por Joe Strummer pelos direitos humanos. Tornaram-se trincheiras de resistência ao neoliberalismo. Fez do The Clash símbolo do combate a Margareth Tatcher e seu trágico regime recessivo, neoliberal típico, caracterizado pela sua mão de ferro cheia de impostos e ataque às políticas de bem-estar social para os pobres e proletários britânicos.

O rock de combate do The Clash deu uma dimensão política ao punk, socialista, é certo, com sua munição pesada contra o pensamento reacionário de direita, ditaduras (um álbum triplo dedicado a essa questão: Sandinista), indústria bélica, imperialismo e violações de direitos humanos.

Não me importo de dizer que tenho um herói. Ele se chama Joe Strummer. Um anti-herói do rock, por desprezar todo o tipo de estrelismo. Um sujeito totalmente integrado às suas crenças, arte e militância. E o The Clash foi a banda da minha geração. A banda que me chamou para a briga. Mudou minha vida.

Aproveitando o aniversário de 30 anos do lançamento do London Calling (no dia 14 de dezembro de 1979, em Londres) clássico dos clássicos da música popular contemporânea global, aqui vai o tributo do Impop aos eternos Joe Strummer & The Clash. Como disse o velho Ezequiel Neves em uma das suas colunas iluminadas na revista Somtrês, no início dos anos 80, o “The Clash tinha mais presença de palco do que um exército de Marilyns Monroe nuas”.

The Clash, This is Radio Clash

The Clash, Straight To Hell

The Clash, Guns of Brixton

The Clash, Know Your Rights

Joe Strummer com Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Police on My Back

London Calling, a Tribute to Joe Strummer

Trailer do filme The Future Is Unwritten, de Julian Temple, sobre Joe Strummer

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