“Take Five” para combater a falta de tempo e voltar a programação (a)normal do Impop.
A música do The Dave Brubeck Quartet ocupa lugar cativo na antologia universal da música moderna por perpetuar o complexo compasso de divisão binária de cinco tempos, o 5/4, como poderoso elemento pop, digamos.
“Take Five” é uma composição de meticulosa estrutura que flui entre os momentos em que os solos de saxofone e piano dialogam com seus curtos múltiplos espaços de tempo. Pulmões integrados com a batida cardíaca em função do passeio da alma. Domínio rítmico que recoloca o tempo em nossas mãos, dá o céu às idéias e um ritmo sincopado imparável ao jazz. Um excesso de tempos e contratempos postos à serviço da harmonia que faz “Take Five” pulsar como um poema beatnik.
Nada de ritmos quartenários e ternários do próprio jazz. O prevísivel que se dane pelas escalas do genial saxofonista Paul Desmond, autor da pérola. Ele sopra singularidade, travessura, complexidade e essência pop, enquanto música que não dissolve no ar e não descola das mentes com o passar do tempo. Pois tem um tempo que inspira o domínio sobre o incerto. Combustível para enfrentar as complexidades da vida.
“Take Five” foi lançada no álbum “Time Out” (1959). Completou 50 anos imune à erosão do tempo, reciclada nas mentes da vanguarda da música impop global, nas radioheads de Thom Yorke e cia, nas mãos irriquietas dos recombinadores da cultura livre.
Take Five, The Dave Brubeck Quartet
E tome “Take Five” nas teclas de Dave Brubeck, no sopro de Paul Desmond, no backbeat do baixão acústico de Gene Wright, na quebradeira ensandecida das baquetas de Joe Morello. The Dave Brubeck Quartet eterno.
Take Five vs 15 Steps – The Dave Brubeck Quartet vs Radiohead
E tome Take Five recombinada com 15 Steps por Overdub. Dave Brubeck Quartet vs Radiohead, ou o efeito de um clássico eterno, seu poder de reciclagem, de ser recriado pelo legado que influencia.
Take Five no American Pop
E tome “Take Five” no filme de animação American Pop (que conta a história da música popular americana), em memorável seqüência, após Allen Ginsberg recitar o poema Uivo (“I saw the best minds of my generation destroyed by madness (…) who poverty and tatters and hollow-eyed high sat up smoking in the supernatural darkness of cold-water flats floating across the tops of cities contemplating jazz (…)”). Lembro de ter ficado com a música colada na mente e só ter sossegado quando descobri sua autoria ao ver meu pai retirar “Time Out” da sua valiosa prateleira de vinis. (A partir dos 02:55)







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