De volta. E direto para o show do Primal Scream realizado sábado, dia 24 de setembro, no Popload Gig 7, em São Paulo. Uma escala fundamental, talvez definitiva, da expedição pelo paraíso da experiência psicodélica na música pop. Luz, som, diversão. Tudo na dose certa para comemorar os 20 anos de Screamadelica com o que o disco representa: transcendência.
Soando ainda mais atuais do que na época do lançamento, as músicas do Screamadelica foram encapsuladas em projeções visuais durante uma hora e meia de expansão cognitiva, de Movin’ On Up a Higher Than The Sun – só não lembro de ter ouvido Shine Like Stars. No bis, o Primal Scream ainda acrescentou Country Girl (do Riot City Blues, de 2006), Jailbird e Rocks (do Give Out But Don’t Give Up, de 1994), as mais “stoneanas” das músicas rockers do Primal Scream. Foi como um tributo à banda de Keith Richards e Mick Jagger, influência declarada de Mr. Scream, Bob Gillespie.
Entre ondas insinuantes de frequências graves, estridências guitarrísticas, concretismos eletrônicos, o que ouvimos foi um tratado de futurismo musical derivado de incursões do rock no dub pelas asas da e-music, com regência do ultra cool e sorridente Bob Gillespie.
A revisita ao Screamadelica fez bem para o Primal Scream. A banda passou a impressão de que retomou seu apetite experimental e estético. Para não deixar dúvidas, no final do show utilizaram um experimento sônico arrebatador – e arrebentador de tímpanos – de sampling live, com um loop chapado dos últimos acordes e vocais de Mr. Scream. Além do zumbido na mente, fiquei com a certeza de ter presenciado um show histórico e o renascimento de uma banda seminal. Primal Scream reloaded.
Logo abaixo, mando um vídeo com um trecho de Loaded. Foi um dilema ficar imóvel durante alguns minutos para filmar, cada vez que o groove se aprofundava mais nas ondas graves, com o piso convidando para outra dimensão, os pés inquietos, a mente ligada. Loaded é a música que melhor traduz o estado “screamadelico”.








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