>> Podouvir Música Impop #1 – Brasil x Croácia
Tempo de copa, de confraternização de culturas. Tempo do mundo se enxergar na bola que corre de pé em pé seja qual for o uniforme do time que esteja atacando ou defendendo. O pensamento é único: gritar gol. E assim o fazem vários povos, independente do seu poderio econômico. O que fascina no futebol talvez seja esse poder redentor, a oportunidade da arte do improviso superar as dificuldades sociais, políticas e econômicas.
Logo mais o Brasil enfrenta a Croácia. E Impop está de olho na bola e na música. O encontro de dois países de várias etnias, de culturas ricas, que motivam sempre grandes confrontos de gêneros com a liberdade autoral comum dos agentes culturais. São crias do drible! Mesmo que os dos brasileiros sejam mais desconcertantes, pelo menos dentro das quatro linhas.
Para estrear o podcast Música Impop, uma peleja entre Brasil e Croácia cheia de referências futebolísticas e similaridades musicais. Os Croatas que me permitam abordar as sonoridades da região, até para celebrar a paz e confraternização expressa na música diversa produzida por bósnios, sérvios, croatas. Pela pressa, não deu para gravar o arquivo com voz. Segue então uma apresentação escrita do podouvir Música Impop #1.
Impop começa recuando a bola para o Akira S e As Garotas que Erraram. O Futebol traz um retrato do esforço da vanguarda paulista dos anos 80 de fundir as sonoridades nacionais com as últimas tendências globais. Exorcizando o nosso complexo de Vira-latas, como diria Nelson Rodrigues. É samba, funk, disco, ska, poesia, tudo no controle do pé. 1 x 0.
A ligação com o Ponta de Lança Africano naturalizado brasileiro sai dos Los Sebozos Postizos, que atacam com o clássico de Jorge Ben. “Ginga, alma, inspiração. Joga bola, levanta, sobe e desce. Corre, chuta, abre espaço, vibra e agradece. Olha que a cidade toda ficou vazia nessa tarde bonita pra te ver jogar”.
Da arquibancada Nelson Rodrigues comenta: “A pura, a santa verdade é a seguinte: – qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: – temos dons em excesso”. O Eddie dá ouvidos e ataca com Futebol e mulher.
DJ Dolores atenta para O medo do artilheiro diante do pênalti. Coisas do futebol. Isso porque conheceu o outro lado, o cigano de jogar e mixar culturas. Foi bater bola com Taraf De Hairdouks no álbum Electric Gpsyland. Os bálcãs cantam da arquibancada: Dumbala Dumba.
Gogol Bordello pega a bola e contra-ataca representando a diáspora balcã com Gypsy part of Town. Cheio de ritmos e atitude política, anda barbarizando em Nova Iorque onde segue promovendo a balcanização da americanização. Só por isso Impop permite uma individualização da jogada e chama outra da banda do ucraniano Eugene Hütz: Think Locally, Fuck Globally. Até a torcida brasileira festeja. É um lema que cabe bem na nova produção nacional.
Para o bósnio Emir Kusturica, fazer filme é como jogar futebol. E ele entra em campo com a sua banda No Smoking Orchestra para fazer uma tabelinha com Gogol Bordello na fusão gypsy-punk com Wanted Man. O clima cinematográfico não basta para o maestro Goran Bregovic, autor de trilhas clássicas como a do filme Underground, de Kusturica. A defesa brasileira fica atenta aos movimentos do Hip Hop de Goran.
Os Móveis Coloniais de Acaju tomam a bola e aproveitando a análise de outro maestro, o brasileiro André Abujamra, que os colocou para marcar os sons de Kusturica, partem pela ponta gastando todas as energias rumo ao gol da vitória com a velocidade do peculiar ska Perca Peso.
Final de jogo. Junio Barreto, com o seu novo samba cheio de multiplicidades ritmicas, chega para confraternizar com Amigos Bons. O Balkan Beat Box prossegue a festa de ritmos e da vitória do futebol arte com Shusshan.







ei, muuuuito boa seleção! (o trocadilho foi involuntário….). fiz um podcast sobre futebol também. tá lá no blogue, o endereço direto é música de futebol