O Skatalites transformou a choperia do Sesc Pompéia, em São Paulo, numa das encruzilhadas culturais do planeta. Um ponto imaginário que interliga o Delta do Mississipi, New Orleans e Kingston, berços do blues, jazz e reggae. Foi quinta passada, 17 de maio (uma das três noites da temporada da banda em São Paulo), que testemunhei a aula dada pelos os fundadores do ska sobre a vocação mestiça da música popular com seus temas instrumentais compostos de notas multiculturais. Fizeram um verdadeiro carnaval. O skarnaval do Skatalites!
O Skatalites desfilou clássicos de todas as fases de sua carreira de mais de 40 anos. Durante as mais de duas horas de show revelaram o segredo da longevidade da banda e do fascínio renovador de sua música: a união da experiência que esmera com a dedicação irrestrita à alegria. É por isso que tocam até hoje com toda propriedade a clássica “Music is My Occupation” – um dos grandes momentos do show, por sinal.
Três dos integrantes originais, Lester Sterling (saxofonista), Doreen Shaffer (cantora) e Lloyd Knibb (baterista – sensacional), ditaram o ritmo da alegria nada compulsória dos “foliões” presentes. Um público eufórico que cantava, nota por nota, as melodias luminosas sopradas pelo naipe de metais da banda; que respondia ao chamado à dança dos minuciosos contratempos rítmicos e linhas de baixo sinuosas do Skatalites.
Cada um dos novos integrantes agia como agentes culturais, incorporando os mestres do ska, com menção especial a Karl “Cannonball” Bryan, por suas evoluções musicais e divertidíssimas coreografias ocasionais. Assim o coração latino ditou a batida de “Latin Goes Ska”. Já uma irresistível rapsódia ao improviso, tão comum aos de verve jazzística, pulsou um trecho de “Take Five”, de Dave Brubeck, na veia reggae de “Rockfort Rock”.
Dorren Shaffer também não resistiu à emoção após ser saudada ao cantar a delicada “Sugar Sugar”. Já quando o Skatalites executou o tema do filme “Rockers”, o público reverenciou junto a cultura jamaicana.
Dois momentos, no entanto, levaram o show a atingir seu ponto de fusão: “Guns of Navarrone” e “Stampede”, acrescidas do coro de toda a platéia. Uma confortante sensação de pertencimento tomou a todos de assalto. Não havia palco nem audiência. Como numa ladeira do carnaval de Olinda, artistas e público integraram um só bloco, o da felicidade.
Seleta Impop – O skarnaval do Skatalites
01 – The Guns of Navarone
02 – Rockfort Rock
03 – Latin Goes Ska
04 – Stampede
05 – Music is My Occupation








Olá, tu sabe o nome do filme mexicano para o qual a Nação Zumbi gravou a trilha sonora?
Abs. e escreva com mais frequancia.