A lista das listas. É como considero a lista de melhores de 2007 do site Scream and Yell. Por compilar os eleitos de uma considerável fatia da crítica musical brasileira. Um júri formado por 91 votantes, entre blogueiros, jornalistas, músicos, produtores, escritores, dedicados a análise de vertentes distintas. O resultado, belo mosaico de tendências, não pactua com o pragmatismo reacionário neo-liberal destes tempos. Paixões ideológicas à parte, o que reluz nas entrelinhas é, principalmente, o sinal de consolidação da música independente brasileira. Há algo brasileiro no ar, com cheiro de novidade. É tempo de mudança.
Dentre os cinquenta discos mais votados, praticamente a metade é composta de brasileiros – 23 discos. O que já é bem representativo, tendo em vista a dura concorrência do mercado internacional, em termos de quantidade de títulos lançados e, porque não dizer, em relação ao maior espaço dado aos gringos pela imprensa especializada. Por ironia, bem representada neste júri.
O que salta aos olhos e sustenta o meu proposto é a participação nacional em 50% no top 10, com os discos “Vanguart”, Vanguart (MT) – LC Editora; “Fome de Tudo”, Nação Zumbi (PE) – DeckDisc; “A Marcha dos Invisíveis”, Terminal Guadalupe (PR) – Cubo / Fósforo; “Hurtmold”, Hurtmold (SP) – Submarine Records e “Tribunal Surdo”, Violins (GO) – Monstro Discos. Nem encaro como tendência. É fato. Basta verificar a curva ascendente da participação nacional nos resultados das edições anteriores da eleição do Scream And Yell.
Mais do que atestado de qualidade, representatividade e da diversidade do cenário musical do Brasil, o resultado estampa a descentralização da produção do eixo Rio-São Paulo. Um dado que comprova a pouca colaboração das grandes gravadoras para a renovação do nosso cenário fonográfico. É o triunfo dos meios alternativos de produção e divulgação. Inclusos no bolo os ainda polêmicos blogs de MP3 e demais meios de compartilhamento de músicas pela internet.
Espero que este resultado faça eco no Brasil. E faço aqui a minha parte: apelo para as maiores promovedoras de grandes eventos musicais no Brasil que de fato alinhem com o que propõem: associar suas marcas com o novo – o tal do branding. Que nesse 2008 não se repita o vexatório descaso (de ter dado um palco que não resistiu à chuva) aos grupos nacionais no Tim Festival 2007, no Rio – porque em São Paulo banda nacional não teve vez.
Consultem a lista do Scream And Yell, curadores. Deixem de lado, que seja por míseras horas, os charts gringos e agendas das bandas que populam os NME´s da vida. Esse, o dos grandes festivais, é um dos pontos importantes da cadeia produtiva musical que precisa ser aquecido, para dar sustentabilidade à nova produção nacional.
Do lado dos independentes, a Associação Brasileira de Festivais Indepentes, Abrafin, como fez em 2007, já se encarrega de viabilizar recursos para reforçar a estrutura de festivais estabelecidos como Abril Pro Rock, No Ar: Coquetel Molotov, Goiânia Noise, Festival Mada… O Humaitá pra Peixe já está rolando e mandando bem. 2008 promete!








Olá Carlos
Precisamos de uma força para achar um selo que valorize o rock que estamos fazendo. Poderia dar uma mão?
Grande abraço
Ferdinando
http://www.hysterica.com.br
Oi Ferdinando
Vejo uma tendência forte das bandas em lançarem seus discos e formarem seu público via web. Nesse sentido, a formação de comunidades dedicadas ao tipo de som ou, claro, à Histerica, sua banda, ajuda bastante. Bom, respondendo sua pergunta, sei que gravadoras como Monstro Discos e Deckdisc continuam fazendo um bom trabalho de garimpo. Também acho importante conhecer a distribuidora Tratore. Em termos de hard rock, ouvi falar da Big Rock, embora não conheça bem o trabalho deles. Abs.