Quincy Jones:”essa sempre será a minha música cara. Eu toco Kind of Blue todos os dias – é meu suco de laranja. Assim soa como se tivesse sido feito ontem”
Chick Corea: “Uma coisa é tocar uma música ou executar a instrução de uma música, outra é praticamente inventar uma nova linguagem musical, que é o que Kind of Blue fez”.
George Russel: “Kind of Blue” é simplesmente um daqueles álbuns espantosos que surgiram naquele período. O solo de Miles em “So What” é um dos mais belos de todos os tempos”
O jornalista, que também é produtor e professor, Ashley Kahn, colaborador de publicações da Rolling Stone (The Seventies e Jazz & Blues), promove uma nova expedição ao coração do jazz com “Kind of Blue – a história da obra-prima de Miles Davis”, livro que traz a história do disco que se confunde com a história do jazz.
Lançado no Brasil pela Barracuda, com tradução de Patricia de Cia e Marcelo Orozco, o livro foi editado originalmente em 2000. Ainda inédito no Brasil continua “A love supreme – The Story of John Coltrane’s Signature Album”, do mesmo Ashley Kahn, que disseca a obra-prima de John Coltrane.
Fiz questão de ampliar a importância do “Kind of Blue” para um contexto maior, o da história do jazz, porque é inimaginável falar em jazz sem trazer à mente e aos ouvidos o sempre elegante Miles Davis e seus sopros de precisão matemática vindos de improvisos da alma. É obrigatório, porque intrínseco, citar as livres evoluções do seu famoso sexteto de bambas sobre bebop – o hard bop – e cool jazz. Justifica-se, assim, o valor da pesquisa exclusiva sobre “Kind of Blue”. Pesquisa essa, por sinal, bem desenvolvida e escrita de forma fluida, no embalo do disco, equilibrando-se entre a sobriedade e a paixão.
Com acesso às sessões de gravação através das fitas master cedidas pela Sony e ao acervo da Columbia Records, gravadora pela qual “Kind of Blue” foi lançado originalmente, Ashley Kahn capturou a magia da criação das cinco faixas do disco, lançado em agosto de 1959.
Fotos, partituras, trechos de sobras de estúdio transcritos e entrevistas com músicos, produtores, executivos e jazzófilos, recheiam a edição. Um material que atesta a importância de “Kind of Blue” para a música, além de retratar uma época de explosões contraculturais. Desobediência civil, literatura que preferia a estrada de Kerouac à academia, o “Uivo” de Ginsberg contra a guerra fria, música avessa à fôrmas, o cinema anguloso feito com câmera mão, nas telas “O Acossado” de Godard, lançado também em 59, fim das concessões.
O mundo estava mudando. Queria revolução. Precisava ouvir Miles Davis e Ornette Coleman, expoentes das transgressões jazzísticas. Ouvir Jazz, free jazz, cool jazz, bebop, hard bop, modal jazz. “Kind of Blue” ainda é trilha sonora de mudanças, tendo alcançado uma expressiva vendagem que ultrapassa a casa de cinco milhões de cópias.
“Kind of Blue” é parte de um processo revolucionário de criação, execução e produção expresso na discografia de Miles Davis. Magistralmente, o livro captura essa essência. O trecho dedicado às duas sessões necessárias para a gravação do disco transforma a leitura numa sensação auditiva, de vôos experimentais sobre jazz, blues, música erudita e flamenca, diferencial do “Kind of Blues” de Miles.
Tão necessárias quanto a audição do disco – ainda um marco na arte de transgredir a arte do improviso – são as histórias que contam os integrantes do sexteto: John Coltrane (sax), Cannonball Adderley (sax alto), Bill Evans (piano), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria), que assina o prefácio do livro. Fazem com que qualquer um se sinta apto a fazer uma música. Impressiona a simplicidade com que tratam os temas. Brotam naturalmente das desorientações promovidas pelas escalas modais que mudaram profundamente o jazz.
O problema, para os mortais, é tornar momentos eternos, como fez Miles com “So What”, “Freddie Freeloader”, “Blue in Green”, “All Blues”, “Flamenco Sketches”, composições do “Kind of Blue”. São músicas que iluminam a eternidade. E o livro de Ashley Kahn chegou lá.
Confira Miles Davis e John Coltrane tocando “So What”






Conheça o interessantíssimo trabalho de arte e pesquisa sobre o Jazz
É a Árvore Genealógica do Jazz (The Tree Of Jazz)
Abaixo o endereço oficial da obra:
em portugues
http://arvoredojazz.blogspot.com/
em ingles
http://treeofjazz.blogspot.com/
Espero respostas…
Felipe Sancho
arvoredojazz@gmail.com