E lá se foi Teo Macero, terça-feira, 19 de fevereiro, aos 82 anos. Segundo o New York Times, consumido por uma doença prolongada não revelada. Novaiorquino, músico saxofonista co-fundador da Charles Mingus Jazz Composers Workshop, Teo Macero dedicou sua vida ao jazz moderno atuando como compositor, arranjador e, principalmente, produtor. Atingiu o ápice da sua carreira quando impôs ao seu ofício um caráter autoral, de co-autor, digamos, na produção de álbuns clássicos da discografia de Miles Davis: “Kind of Blue”, “Sketeches of Spain”, “In a Silent Way”, “A Tribute to Jack Johnson” e “Bitches Brew”.
Como tributo a Teo Macero, abordo este último, “Bitches Brew”, lançado em 1970, marco redefinidor do jazz e inspirador de uma linhagem de complicadores da música (im)popular bem representada por Brian Eno, Bill Laswell, Jason Swinscoe, do Cinematic Orchestra, Amon Tobin, Mars Volta e Radiohead.
Bitches Brew ou Uma Nova Música é Possível
Se em “A Kind of Blue” Miles já tinha mudado o rumo do jazz, em Bitches Brew deixou suas impressões digitais na história da música contemporânea reorientando-a para caminhos mais inventivos. Foi o inicio de sua chamada “fase elétrica”, um alerta ao mundo para a necessidade de se fundir supostas impossibilidades.
Evoluindo sob efeito de jams e incendiárias fusões entre o funk, jazz, rock, música flamenca e indiana, Miles contou com as pioneiras técnicas de gravação e edição de Teo Macero para dar forma às suas idéias alheias à convencionalismos. Com a banda formada por John McLaughlin, Chick Corea, Joe Zawinul, entre outras feras, Miles e Teo Macero impuseram ao álbum um som particular, idealizado a partir de texturas e experimentações sônicas, eletrônicas e atonais, sob influências de Sly Stone, Jimi Hendrix, Varése e Stockhausen.
Teo Macero sabia que por trás dos indefectiveis e instranponiveis óculos escuros de Miles Davis residiam olhos secos: suas lágrimas tinham sido dissolvidas em cool jazz; sua alma suspirava pelo seu trumpete e transformava o jazz em rock, o rock em hip hop, o flamenco “num tipo de blues”. A mixagem desse caos significou uma revolução musical.
Teo Macero convenceu Miles a “profanar” o ritual do improviso, conduzindo a prática vital dos jazzistas a um nível mais experimental. O fez com magia, operando sua mesa de oito canais. A arte de Mr. Macero consistia em cortar temas dos improvisos das jams sessions que Miles promovia para colá-los em uma outra seqüência que fizesse mais sentido, mesmo que isso pudesse significar o oposto.
Após cinco meses de gravação e estudo minuscioso de uma infinidade de rolos de fita, o resultado expressou o que Miles desejava: tornar “Pharaoh´s Dance”, “Bitches Brew”, “Spanish Key”, “John McLaughlin”, “Miles Runs The Voodoo Down” e “Sanctuary” obras abertas, sujeitas à novos diálogos. Essência do improviso jazzístico que é fundamento da música do século XXI.
Assim a vertiginosa intensidade criativa de Miles e banda foi preservada. Sua música continou à prova de redundâncias, sendo a melhor definição da sua urgente linguagem: Be Bop.
“Bitches Brew” continua indispensável para quem quer vislumbrar o futuro da música, com o poder que tem de transfigurar a realidade, criar outras. Este é o melhor atalho para a eternidade, onde residem definitivamente Miles Davis e Teo Macero.
Teo Macero comenta sobre Bitches Brew
No vídeo acima, Teo Macero fala sobre os cinco meses de gravação de “Bitches Brew”. Bem humorado, faz imitações impagáveis de Miles e explica os processos de criação e produção do disco. Lá pras tantas revela: “eu nunca estive de olho no momento, mas sim no próximo projeto. Eu sabia que tínhamos uma coisa em comum”.







Carlos.
Na soma do referido trecho realmente pertence ao seu blog. Tirei essse trecho de outra fonte d americana que provalvelmete copiou de vc e confeço que nao conhecia seu blog ate o momento. pois na verdade não sei quem é o dono do referido.
a minha intenção é divilgar Miles Davis na melhor forma possivel. Já tive trechos de comentarios meu em outros blog tb.
Mas o que vc pretende fazer?
Aguardo sua resposta.
Sr. Borboleta
Esqueci de disser:
Posso retirar o trecho que te pertence na melhor das intenções, sem ressentimentos.
Grato
Opa. Velho, estamos juntos nessa de divulgar os sons de Miles. Sobre o que fazer com o trecho que tem parte do meu texto no seu post, você que sabe. Mas o espírito da rede blogueira manda linkar citações. Coloca o trecho o texto em itálico com um asterísco e o link para este post no final do teu post. Só uma sugestão. Sem ressentimentos.