Guitarras africanas

Vieux Farka Touré, Ibrahim Ag Alhabib (Tinariwen), Amadou Bagayoko (Amadou & Marian), Toumani Diabaté. Por que os melhores guitarristas da atualidade são africanos?

Eis um poema visual para explicar.

Simples como uma rima fácil. Complexo como a criação. Alegoria da busca pela vida. O garoto congolês mostra como nasce um blues. De uma controvérsia. Do desafio ao privado. Da vontade de tocar a vida, manuseá-la. Construir algo com o que está ao redor. Perseguir e compor sons.

Fazer música não pressupõe saber tocar um instrumento. Entendi essa dinâmica, digamos, quando visitei uma escola de música numa comunidade carente de Camaragibe, Pernambuco, criada pelo percussionista Garnizé (ex-Faces do Subúrbio e F.Ur.T.O.). Ele ensinava a garotada a perseguir o som mesmo sem saber música. Criar, compor, reproduzir e construir seu instrumento. Fazer sons brotarem a partir do contato com o chão. Assim como uma planta, os sons cresciam e floresciam em instrumentos de cordas e percussão. Tudo feito a mão.

É como vejo e ouço o blues africano. Principalmente o blues do deserto. O blues de Mali, do Tinariwen, dos Farka Touré Ali e Vieux, pai e filho. Um contraponto ao blues americano que porta o charme do lamento da decadência e autodestruição: o que se vê e ouve das guitarras africanas é uma ode à construção e ao otimismo. Uma experiência radical que ilustra a transformação de barreiras em plataformas. Música como celebracão da existência.

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