Felabration

Fela Kuti

Fela Kuti

Comemorado em todo o mundo no último dia 15 de outubro, o aniversário de Fela Kuti não poderia deixar de ser celebrado aqui no Impop.

Se vivo, o pai do afrobeat teria completado 71 anos. Se bem que ultimamente a onipresença de sua obra, seja por influência musical, citação política e identificação com ações libertárias, nos dá a sensação de que Fela Anikulapo Kuti está mais do que vivo. E essa sensação tende a aumentar.

Fela Kuti está em todos os lugares. A República Kalakuta (como se referia a sua residência) expandiu. Está na arte; no desejo de Spike Lee de levar às telas a história do Black President inspirado na biografia “Fela: This Bitch of a Life”, de Carlos Moore; estará em cartaz na Broadway, a partir de 25/10, com o musical Fela!. O Fela Day sacolejou o mundo com afrobeat para comemorar o aniversário de Fela.

Os filhos de Fela também estão em todos os lugares. Um vasto elenco de herdeiros, não apenas fruto da lida de Fela Kuti com suas 27 esposas legítimas, como os pródigos Seun Kuti e Femi Kuti. Um legado de panteras negras musicais que integra continentes e culturas, convergindo os ritmos de cada canto do planeta para dentro de uma batida. Um groove de todos os ritmos.

É o Afrika Shrine, santuário musical idealizado por Fela. Obra que não cabe em limites geográficos, conceituais e ideológicos: Antibalas, Budos Band, Nomo, Kutiman, Zozo Afrobeat, Minimoogli, Nacão Zumbi, Lucas Santana, Anelis Assumpção, Burro Morto, Vampire Weekend, Yeasayer, entre outros. Legado Kuti que leva a sério o caráter revolucionário do pai do afrobeat, estética, musical e politicamente falando.

Ei-lo novamente. Sempre. Fela Kuti. Maestro, cantor, multiinstrumentista, dançarino. Ativista. Herói nigeriano. Ídolo global. Encarnação do valor cultural que se sobrepõe às fajutices colonizantes. Sua luta para refundar o panafricanismo, “retirando-o” das mãos das oligarquias nigerianas, o tornou sujeito da mais expressiva tradução de vida em arte, de obra artística em plataforma política, de engajamento em movimento sócio-cultural.

A África que quer ser livre e do tamanho de sua riqueza quer ser Fela, tal o envolvimento da obra de Fela Kuti com o continente. O mundo precisa ser Fela, diverso, catalisador, tanto de ritmos quanto de cores e linguagens. Mestiçagem que sugere integração e conseqüente compartilhamento de riquezas, caminho inverso da globalização regida pelo já decadente receituário neoliberal do planeta.

Sim, afrobeat é compromisso. E como sentenciou Fela Kuti, música é a arma. Nem seria necessário explicar o porquê da afirmação, mas aproveito para complementar esse post-tributo a Fela Kuti com o documentário Music is The Weapon. Dirigido pelos franceses Jean-Jacques Flori e Stéphane Tchalgadjie, explica bem com um belo registro histórico da vida e obra de Fela Kuti.

Música é a arma

Música é a arma

Music is the weapon (Música é a arma)

Direção: Jean-Jacques Flori e Stéphane Tchalgadjief

Produção: França, 1982

Lançado em 2003

Duração: 53 min

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