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	<title>Impop &#187; Impop - contracultura (im)pop para ver, ouvir, opinar e cantar, por Carlos Freitas</title>
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	<itunes:summary>Podouvir - o podcast do blog Impop. Com o formato de mixtapes explora o universo musical do planeta. Do manguebeat ao afrobeat. Do rock ao post rock. Do jazz ao dub.</itunes:summary>
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		<title>Salustiano Song</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 05:18:24 +0000</pubDate>
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A capacidade de ensinar não encerra o atributo de Mestre. Mestre Salustiano foi exemplar neste aspecto. Além do reconhecido saber, fazia da música que fluia da sua rabeca instrumento de resistência e de renovação cultural. Mestre, dançarino (um dos maiores de cavalo-marinho de Pernambuco), músico, autor de quatro discos - &#8220;Sonho da rabeca&#8221;, &#8220;As três [...]]]></description>
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A capacidade de ensinar não encerra o atributo de Mestre. Mestre Salustiano foi exemplar neste aspecto. Além do reconhecido saber, fazia da música que fluia da sua rabeca instrumento de resistência e de renovação cultural. Mestre, dançarino (um dos maiores de cavalo-marinho de Pernambuco), músico, autor de quatro discos - &#8220;Sonho da rabeca&#8221;, &#8220;As três gerações&#8221;, &#8220;Cavalo-marinho&#8221; e &#8220;Mestre Salu e a sua rabeca encantada&#8221; -, fundador do tradicional Maracatu Piaba de Ouro, Mestre Salustiano rumou para a eternidade domingo passado, 31 de agosto de 2008.
Deixou conosco o baque solto do seu maracatu rabecado e sua enfiezada toada de cavalo marinho. Passou o solo de sua &#8220;rabeca encantada&#8221; para o seu legado: Maciel Salu, Siba, DJ Dolores, Nação Zumbi entre tantos outros que agora interligam os caminhos da zona da mata pernambucana com a morada eterna do Mestre Salu.
Tive oportunidade de entrevistá-lo, em 1998, quando colaborei para uma edição da Revista Trip que encartou um cd com coletânea de sons pernambucanos. Entre inéditas da Nação Zumbi (pré-Radio S.A.M.B.A), Mundo Livre S/A ao vivo, Devotos, Sheik Tosado, Stela Campos, entre outros, ardia &#8220;Pimenta na Brasa&#8221;, do primeiro disco do Mestre Salustiano, Sonho de Rabeca. Sobre a música, o Mestre, com seu tom naturalmente professoral, comentou: &#8220;É um forró pé de rabeca que faz parte da mais autêntica tradição do forró desde os tempos de Lampião, que animava suas festas com semelhante formação musical.&#8221;
Ao Mestre Salu dedico a seleta Impop Salustiano Song, batismo que pego emprestado da música de Chico Science e Nação Zumbi que dá o tom da representatividade e influência da obra do Mestre Salu no cenário musical pernambucano, um dos mais férteis da música brasileira.
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Mestre Salustiano - Pimenta na Brasa
Mestre Ambrósio - Pé de Calçada
Mestre Salustiano - Toada de Cavalo Marinho
Nordestina - DJ Dolores &#038; Orchestra Santa Massa (com Maciel Salu)
Mestre Salustiano - Maracatu Rabecado
Siba e Fuloresta do Samba - Caluanda
Mestre Salustiano - Salu na Rabeca é Bom
Chico Science &#038; Nação Zumbi - Salustiano Song
* Foto do post por Gustavo Pereira (fotoguga)
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		<title>Beat-Bop</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 04:40:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Freitas</dc:creator>
		
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Beat-bop, beat-bop, beat-bop. Ressoa o relógio, dispara o coração, pulsa o pulso. Jazz, literatura Beat, utopia, anarquia, novo primitivismo. Coltrane, Miles, Kerouac e Waits conversam em vários planos sobre a essência da cultura livre e mestiçagens da comuna criativa, enquanto a música transita por um universo livre, vagabundo, infindo.
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Beat-bop, beat-bop, beat-bop. Ressoa o relógio, dispara o coração, pulsa o pulso. Jazz, literatura Beat, utopia, anarquia, novo primitivismo. Coltrane, Miles, Kerouac e Waits conversam em vários planos sobre a essência da cultura livre e mestiçagens da comuna criativa, enquanto a música transita por um universo livre, vagabundo, infindo.
Por volta da meia-noite, inerte ao acaso inteligente do improviso de Miles Davis e à batuta de John Coltrane e seu quarteto. &#8220;My Favorite Things&#8221; e o tempo pára. Para não se opor à música. Para harmonizar dialéticas. Para deixar o sopro inspirador oxigenar idéias e deixá-las imunes à erosão do pensamento único. Tudo menos o nada. Tudo menos o poder. Princípio do princípio.
Já o outro tempo, o que transforma frases musicais em fluxo contínuo de idéias, dita o ritmo das palavras. Poesia beat. Beat de Jack Kerouac, que ditado pelos acordes livres do be-bop paria parágrafos de liberdade com sua prosa espontânea. Alas abertas para a engenhosidade do improviso. Atalho para o realismo utópico, da exigência do impossível e expressão do abstrato. 
Chega aí, Tom Waits. Traz o discurso do vento e o aplauso da chuva. Mostra o ecossistema onde o homem não é câncer. Embola jazz com transcendência. Faz os &#8220;Rain Dogs&#8221; deitarem e rolarem. Afinal, &#8220;estas músicas são ilógicas. Ninguém exige que uma música tenha a mesma função de um dicionário. É como uma bolha cheia de fumaça, ela deve se espalhar pelo ar&#8221;.
A meia-noite passou. Passaram notas, palavras, ritmos, silêncios e a música continua entregue à transformação. Na firmeza. Sem sono. Beat-Bop: jazz, beatniks, utopia, anarquia, novo primitivismo. Coltrane, Miles, Kerouac e Waits conversam em vários planos sobre a essência da cultura livre e mestiçagens da comuna criativa, enquanto a música transita por um universo livre, vagabundo, desgovernado, infindo. Amém.
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Miles Davis - Round Midnight
John Coltrane - My Favorite Things
Tom Waits - Medley Jack &#038; Neal
Jack Kerouac - American Haikus
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		<title>Leonard Cohen: O Eterno Regresso</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Aug 2008 09:52:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Freitas</dc:creator>
		
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	<itunes:summary> &#8220;Leonard Cohen: O Eterno Regresso&#8221;, biografia assinada por Marc Hendrickx, autor de biografias de Keith Richards e Elvis Presley, foi lançada em Portugual pela Guerra e Paz. Segundo a nota da edição, &#8220;A perspectiva de um legado que se corporiza num perpétuo regresso&#8221;. Já para os fãs trata-se de mais um item indispensável. Só espero que, a exemplo do que ocorreu na terra irmã de além-mar, o livro seja lançado no Brasil durante a especulada (e tão aguardada) vinda do cantor e poeta canadense para algum dos festivais que acontecerão neste segundo semestre. 
Custa acreditar que o show de Leonard Cohen não ocorra por aqui. Afinal, o autor de &#8220;Hallelujah&#8221;, &#8220;Everybody Knows&#8221;, &#8220;Waiting for the Miracle&#8221;, &#8220;The Future&#8221;, &#8220;So Long, Marianne&#8221;, aos 73 anos, está de volta aos palcos após um hiato de 15 anos, tempo dedicado a um retiro espiritual zen-budista. É uma chance que pode ser única, portanto. Quem assistiu ao show garante que trata-se de um momento especial. Tenho o amigo Marcelo Costa como testemunha. Ele chorou um oceano durante e depois da apresentação do mestre no Festival Internacional de Benicàssim 2008
Que Buda ilumine a mente dos &#8220;curadores&#8221; destes festivais. Pois, definitivamente, não quero ler o livro sem ter visto o show. Do contrário, resta apelar para que o Beirut - confirmado até então no Tim Festival - toque &#8220;Hallelujah&#8221; ao bandolim como vem fazendo em alguns shows, como Impop antecipa aqui. Não deixa de ser um belo consolo.
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Por fim, reproduzo a nota completa e um trecho da edição portuguesa de Leonard Cohen: O Eterno Regresso:

Este é um livro muito especial em que Marc Hendrickx confronta o leitor com a obra do incontornável cantor e poeta judaico-canadiano Leonard Cohen. Muito longe de ser uma biografia, aqui o autor procura, através de um registo intimista, as respostas para questões sobre o Homem, a felicidade, a tomada de consciência, a fé, o objectivo de vida, o amor, a velhice e a morte. Esse processo é simultâneo com a abertura de horizontes sobre a vida do artista que homenageia, abarcando fases como a sua passagem pelas ilhas gregas ou pelo mosteiro zen da Califórnia onde Cohen se refugiou por diversas vezes. Sem esquecer a sua fama internacional, este livro devolve&#8211;nos a perspectiva de um legado que se corporiza num perpétuo regresso.
Um trecho:
A meio do percurso da minha vida, dei por mim num bosque sombrio.» Poderia ter sido uma citação. Contudo, hoje, mais de setenta anos depois de Leonard Norman Cohen ter soltado o seu primeiro grito neste mundo, o poeta profético que cura olha para trás com brandura. A sua divina comédia está quase terminada. O seu humilde servo, leitor, pelo contrário, ainda só chegou à orla da escura floresta.
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<itunes:subtitle> &#8220;Leonard Cohen: O Eterno Regresso&#8221;, biografia assinada por Marc Hendrickx, autor de biografias de Keith Richards e Elvis Presley, foi lançada em Portugual pela Guerra e Paz. Segundo a nota da edição, &#8220;A perspectiva de um [...]</itunes:subtitle>
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		<title>Pagode Russo</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 02:32:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Freitas</dc:creator>
		
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O fole está roncando, celebrando os símbolos de uma cultura popular retratada com a graça, inspiração e originalidade que fizeram da carreira de Luiz Gonzaga um patrimônio cultural. A obra do Lua é um acervo de inventividade, forte como o sertanejo e rica, entre outras qualidades, por provocar a tradição com a tendência que tem [...]]]></description>
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O fole está roncando, celebrando os símbolos de uma cultura popular retratada com a graça, inspiração e originalidade que fizeram da carreira de Luiz Gonzaga um patrimônio cultural. A obra do Lua é um acervo de inventividade, forte como o sertanejo e rica, entre outras qualidades, por provocar a tradição com a tendência que tem de ser global.
Assim falou Drummond: &#8220;só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago&#8221;. Assim sonhou Gonzagão quando compôs &#8220;Pagode Russo&#8221;: &#8220;ontem sonhei que estava em Moscou/ dançando um pagode russo/ na boate Cossaco/ Parecia até um frevo/ naquele cai ou não cai/ parecia até um frevo/ naquele vai ou não vai.&#8221;
Não só durante o período junino que o sonho de Luiz Gonzaga se mostra vivinho da silva, mas enquanto os tantos nordestes do Brasil, unos e diversos, dos sertões que viram mar, inundarem o planeta com a poesia dos seus causos e sua prosa festeira, xaxando as tradições no ritmo do arrasta-pé de sua música.
Uma prova foi vista na cosmopolita São Paulo, quando, no ano passado (2007) a cantora japonesa Miho Hatori, durante sua apresentação no festival Resfest, cantou &#8220;Paraíba&#8221;, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, em japonês, aditada de blips, blops, hips hops do mundo. 
A versão interpretada pela ex-vocalista do Cibo Mato foi gravada originalmente no disco &#8220;Bonfires of São João&#8221;, do Forro in The Dark (uma homenagem a &#8220;Forró no Escuro&#8221;, de Luiz Gonzaga). O grupo novaioquino foi fundado pelo percussionista brasileiro Mauro Refosco, e tem como guitarrista Smokey Hormel (ex-Beck), com o qual Miho gravou afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes no projeto Smokey &#038; Miho.
O disco, lançado no final de 2006, ilustra a figura de um pau-de-arara às avessas e pós-moderno. Traz o ex-Talking Heads David Byrne cantando &#8220;Asa Branca&#8221;, em inglês, numa tradução feita por ele mesmo. Além de revisistar, o Forro in The Dark também revisa a obra de Gonzação com &#8220;Wandering swallow&#8221;. Antes uma versão sem crédito autoral de &#8220;Juazeiro&#8221;, lançada por Peggy Lee, em 1951, a música ganhou suas palavras originais em português e o luxo eletrônico de Bebel Gilberto. 
Bonfires of  São João parece mesmo um tributo ao Rei do Baião, mas não se resume apenas à regravações. Como a &#8220;Feira de Caruaru&#8221;, tem de tudo. Exalta também a obra de Luiz Gonzaga operando o coco, xote, maracatu e baião com os experimentos mestiços e bom humor de &#8220;Qué que tu fez&#8221; e &#8220;Lampião do céu&#8221;. Conexões regionais alheias às fronteiras e trilhadas pela levada da zabumba, guitarras, pífanos, sons e ritmos digitais, fazem de &#8220;Índios do Norte&#8221; e &#8220;Forrowest&#8221; o tal pagode russo que um dia sonhou o Lua.
Quando &#8220;Cajuína&#8221;, de Caetano Veloso, dá as caras no arrasta-pé novaioquino do Forro in The Dark, ateia o fogo da fogueira de Gonzagão, que também é da musica contemporânea. Ao seu redor, unem-se modernistas, tropicalistas, mangueboys, trip hip hoppers, remixólogos e demais matutos celestiais da indústria cultural de massa para celebrar o sonho multicultural de Luiz Gonzaga.
Luiz Gonzaga Volta para Curtir
Enquanto a ditadura militar saqueava nossa liberdade de expressão, em 68, o produtor Carlos Imperial plantou o boato de que os Beatles tinham gravado &#8220;Asa branca&#8221;. A lenda serviu para atear o fogo da obra de Gonzagão na MPB.
O disco &#8220;Luiz Gonzaga Volta para Curtir&#8221; consolida a introdução da música dos sertões do Brasil no universo da nova MPB. É um registro ao vivo de um show realizado em 1972, no Rio de Janeiro. Mostra o Rei do Baião em sua plenitude artística, xaxando, forrozando, contando causos, representando o caboclo (segundo o Lua, bicho, para a [...]</itunes:summary>
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		<title>Manifesto contra o trabalho</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2007 02:59:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Freitas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
Arregaço as mangas para somar o manifesto Impop às manifestações deste 1º de Maio, dia em que se celebra as conquistas dos trabalhadores e renovam-se o fôlego da luta por novas causas libertárias e a necessidade de erradicação do vergonhoso e crescente trabalho infantil no mundo, entre outras barbáries oriundas da crise do trabalho.
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Arregaço as mangas para somar o manifesto Impop às manifestações deste 1º de Maio, dia em que se celebra as conquistas dos trabalhadores e renovam-se o fôlego da luta por novas causas libertárias e a necessidade de erradicação do vergonhoso e crescente trabalho infantil no mundo, entre outras barbáries oriundas da crise do trabalho.
E não falo em crise gratuitamente. Das notícias que li hoje sobre o Dia do Trabalho esta me chamou atenção: PC chinês muda o conceito de &#8220;trabalhador&#8221; na festa de 1 de Maio. Dela cito o seguinte trecho:
O artigo afirma que &#8220;a imagem do trabalhador está sofrendo uma drástica mudança&#8221; e que &#8220;cada vez mais, entre os jovens, ser um trabalhador significa um fracasso na vida&#8221;. A preocupação do partido se justifica pelo resultado de enquetes recentes. No coração comercial e financeiro do país, Xangai, só uma de cada mil crianças quer ser operário quando crescer.
Assim, como se vê, gradualmente desmantela-se a ideologia do trabalho (tal como instaurado no mundo capitalista - à base da opressão), engendrada como religião, sustentada em dogmas e alimentada de um catecismo radical. Sensação de lavoura arcaica.
O estrago, contudo, já é grande. Já não é tão clara em nossas mentes a noção de importância daquilo que produzimos e da representatividade do trabalho para as nossas vidas, tamanho o alheamento que se dá na relação homem-trabalho. Nestes tempos de desemprego crescente, então, passa a ser incógnita a certeza de que precisamos trabalhar para viver. O direito à vida parece não integrar o código de leis que regem o trabalho moderno.
 Eis que assim chego ao &#8220;Manifesto contra o Trabalho&#8221;, já abordado aqui no blog e, para ocasião, devidamente reciclado. O livro foi lançado em dezembro de 99 pelo grupo Krisis, de críticos sociais pós-marxistas, do qual fazia parte Robert Kurz, sociólogo alemão. Manifesto contra o Trabalho pode ser lido pela web. Nas prateleiras, encontra-se a edição brasileira, via Conrad – série Baderna.
Um manifesto Impop, sem dúvidas, do qual cito algumas linhas: &#8220;(&#8230;)A venda da mercadoria força de trabalho será no século XXI tão promissora quanto a venda de carruagens de correio no século XX. Quem, nesta sociedade, não consegue vender sua força de trabalho é considerado &#8220;supérfluo&#8221; e está sendo jogado no aterro sanitário social. Quem não trabalha, não deve comer! Este fundamento cínico vale ainda hoje - e agora mais do que nunca, porque tornou-se desesperançosamente obsoleto(&#8230;).&#8221;
Revolucionária, tanto quanto polêmica, a obra coloca o trabalho como meio de opressão e não de libertação. Alerta para a necessidade de se buscar idéias e ações que suportem a vida, acelerem os acontecimentos para lugares subjetivos, distantes dos espaços regulados pelas corporações.
Assim como fazem os sambistas que metrificam seus objetivos pelo custo da felicidade, bem ao estilo Impop deste blog ser, trago de volta à superfície blogueira um manifesto musical apropriado para a ocasião em forma de samba, punk, rock e afrobeat.

É a Seleta Impop &#8220;Trabalho Vadio&#8221;
Enquanto você ouve, sigo a vadiagem produtiva comentando as musicas:
Não dá falar sobre combate ao trabalho sem cair no samba de bambas como Noel Rosa, Wilson Batista. Eles colocaram na roda a angústia opressora do trabalho remunerado e fizeram da ode à malandragem um manifesto libertário, além de panfleto precioso contra o batente operário.
A clássica Lenço no Pescoço, hino da malandragem, composta por Wilson Batista, vai ao ponto: &#8220;Meu chapéu do lado/ Tamanco arrastando/ Lenço no pescoço/ Navalha no bolso/ Eu passo gingando/ Provoco e desafio/ Eu tenho orgulho/ Em ser tão vadio./ Sei que eles falam/ Deste meu proceder/ Eu vejo quem trabalha/ Andar no miserê/ Eu sou vadio/ Porque tive inclinação/ Eu me lembro, era criança/ Tirava [...]</itunes:summary>
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Arregaço as mangas para somar o manifesto Impop às manifestações deste 1º de Maio, dia em que se celebra as conquistas dos trabalhadores e renovam-se o fôlego da luta por novas causas libertárias e a necessidade de erradicação do [...]</itunes:subtitle>
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		<title>Aquecimento musical no Dia Mundial da Terra</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2007 23:57:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Freitas</dc:creator>
		
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	<itunes:summary>Em pleno Dia Mundial da Terra, no calor do debate sobre o aquecimento global, Impop exerce sua ecocidadania reverberando uma onda de calor musical inspirada no fervor da paixão. &#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221;, com os seus 40 verões e um punhado de versões, exemplo musical clássico de reciclagem, é homenagem Impop ao calor e seu poder natural (e vital) de transformação.
A música leva a chancela do trio Holland-Dozier-Holland, produtores/autores de alguns clássicos da Motown para  Marvin Gaye, The Four Tops, The Supremes e Martha and The Vandellas.
Com elas, Martha Reeves, Rosalind Ashford, Annette Beard, &#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221; caiu no passo doo-wop e virou eterno hit. Confere aí o vídeo das meninas se apresentando no Ready Steady Go! Um daqueles programas deliciosos que levou os anos 60 para TV.

Alguns verões depois, o The Who incendiou o coração dos mods com uma nova versão de &#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221;, também fiel ao soul, com vocalizações em falsetto e tudo mais. Veja o vídeo da música, também executada num programa de TV, com o The Who em pleno estado de graça mod.

A paixão pelo soul e pelo The Who levou urgência punk a &#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221; pelas mãos do trio The Jam. A versão, lançada no álbum Setting Sons (79), ganhou guitarras pesadas, ritmo anfetaminado e um piano bluesy, ao estilo Thelonius Monk. Dá um calor que só vendo.

&#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221; também dá vontade de remixar, claro.  Como fez o bottie mixer Lenlow, que mashupou a música com &#8220;Black and White Town&#8221;, do Doves, em “Heat Wave in a Black and White Town”.

Pra tirar suor mesmo, mando também as quatro versões juntinhas, para ouvir de uma vez só. Então, atera o estado, o controle, o volume, a temperatura. Start to burning. Aperta o play, canta, toca, recicla, preserva &#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221; com Martha And The Vandellas, The Who, The Jam e Lenlow (Martha And The Vandellas vs The Doves).
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<itunes:subtitle>Em pleno Dia Mundial da Terra, no calor do debate sobre o aquecimento global, Impop exerce sua ecocidadania reverberando uma onda de calor musical inspirada no fervor da paixão. &#8220;(Love is Like a) Heat Wave&#8221;, com os seus 40 verões e um [...]</itunes:subtitle>
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		<title>O novo mundo dos comuns criativos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jun 2006 05:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Freitas</dc:creator>
		
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Como costumo manter uma certa continuidade de temas aqui no Impop, aproveito os remixes do Eletrocooperativa (post anterior) para falar sobre o iSummit, evento realizado no Rio de janeiro neste último final de semana. Afinal, sempre vale a pena repercutir algo que trata de produção, compartilhamento de conhecimento cultural, tecnológico, propriedade intelectual e, claro, cultura [...]]]></description>
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Como costumo manter uma certa continuidade de temas aqui no Impop, aproveito os remixes do Eletrocooperativa (post anterior) para falar sobre o iSummit, evento realizado no Rio de janeiro neste último final de semana. Afinal, sempre vale a pena repercutir algo que trata de produção, compartilhamento de conhecimento cultural, tecnológico, propriedade intelectual e, claro, cultura do remix.
O bate-bola foi promovido pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio e o Creative Commons Internacional. Contou com a presença de instituições como a Wikipedia, Google, Electronic Frontier Foundation, Open Society Institute e foi prestigiado por gente fina como Lawrence Lessig, autor do livro Cultura Livre e criador da Creative Commons, e o ministro da Cultura, Gilberto Gil.
 O workshop &#8220;Music, video and multimedia - The Cultural Commons&#8221;, coberto pelo Fábio &#8220;Gerador Zero&#8221;, fez a galera vibrar e ganha espaço aqui pela abordagem musical. Destaco a decisão da Rádiobras, empresa estatal de radiodifusão, de disponibilizar todo o seu conteúdo pela licença Creative Commons. Também caiu bem a exposição do presidente da Trama, André Sjazman. Disse que a gravadora tinha mudado o foco dos negócios para o artista e ao final disparou contra o uso dos gerenciadores de conteúdo digital - DRM: &#8220;we don´t believe in DRM&#8221;.
E por falar em DRM, o Trabalho Sujo do Alexandre Matias apontou “A Declaração Rio 2006 sobre Gestão de Direitos Digitais” como causadora de frisson quando declarada ao final do evento: &#8220;propõe a substituição do atual modelo de indexação de obras digitais pelas licenças Creative Commons&#8221;.
A força do movimento dos commons foi realçada com parceria firmada com a Microsoft. Na cerimônia de abertura do iSummit, a vilã das iniciativas de flexibilização dos direitos autorais e disseminação do software livre, anunciou o &#8220;Creative Commons Add-in for Microsoft Office&#8221;, um plugin que habilita no Office a opção de registro de direito autoral pelas licenças Creative Commons. O primeiro documento licenciado com a funcionalidade foi o texto da conferência do Ministro Gilberto Gil.
Ativistas do Estúdio Livre reagiram distribuindo narizes de palhaço em protesto ampliado às políticas de Bill Gates. Já Lawrence Lessig reagiu de forma mais positiva: &#8220;and I’m very glad they’re on the right side of this issue too. Giving creators the tools to mark their creativity with the freedoms they intend it to carry is a fantastically good thing to do.&#8221;
Para fechar o evento, os debates ganharam formas artístico-musicais independentes. O Teatro Odisséia, na Lapa, recebeu os vídeos-manifesto dos VJs do Media Sana, os dubs cheios de brasilidades de BNegão e os Seletores de Freqüência e Lucas Santtana, destacado aqui no Impop no post sobre Eletrocooperativa, como DJ. Todos criativos comuns. Todos Impop.
O único senão ao iSummit foi o fato de de ter sido restrito a convidados. Ora, estamos todos aqui jogando no time da cultura livre.
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Como costumo manter uma certa continuidade de temas aqui no Impop, aproveito os remixes do Eletrocooperativa (post anterior) para falar sobre o iSummit, evento realizado no Rio de janeiro neste último final de semana. Afinal, sempre vale a pena [...]</itunes:subtitle>
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