“A vida sem música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.” – Nietzsche
Dias a fio sem ruído. Noites sem guitarras. Palavras sem tambores. Pulso sem ondas graves. Idéias sem agudos. O melhor dos silêncios não se percebe no descaminho da ausência…
Agora, a volta. E um necessário pedido desculpas aos leitores que está na ponta dos dedos. A justificativa é que está vagando, ainda perdida no exílio da hibernação. Mecanismo de sobrevivência.
Assimilada a ausência, parto aos sons e às palavras, ainda que desconectadas pela ferrugem.
Ausência e ferrugem. Andam ali ali, lado-a-lado, estabelecendo relações de causa e efeito. Complementando-se. Peleja corrosiva. Como as palavras e sons de Carlos Drummond e Neil Young. Poesia e rock’n'roll. Estou quite contigo, Nietzsche?
“Ausência” (Carlos Drummond de Andrade)
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Neil Young – Hey Hey My My (do álbum Live Rust)
(Foto de Bah Humbug segundo licença CC-BY-ND-2.0)








Envie seu comentário