Chico Science e o eterno retorno à (r)evolução

Chico Science

À memória de Chico Science, o eterno retorno, conceito de Nietzsche, representa um ciclo evolutivo. Taí o legado que o mangueboy deixou para não me contradizer. Rende homenagem constante ao cientista dos grooves, porta-voz e caboclo-de-lança da guerrilha cultural que mudou a cara da música brasileira: o manguebit, uma revolução.

A revolução dos caranguejos com cérebro que revelou os zapatas, sandinos, zumbis do mangue, que agem localmente pensando globalmente: Pernambuco embaixo dos pés e minha mente na imensidão – já dizia Chico Science.

Assim retorno à lida com as letras musicais prestando uma homenagem a Chico Science.

Entre o lamento e a lembrança necessária à memória cultural do Brasil, realço aqui a inspiração da parábola do manguebeat: a biodiversidade dos manguezais, berçários naturais, uma alegoria à vida.

Como fazem Mundo Livre s/a, Mombojó, Cordel do Fogo Encantado, Otto, Eddie, DJ Dolores e todos que não deram a revolução por encerrada após aquele trágico acidente que tirou a vida de Chico, na fronteira entre Recife e Olinda, por trás do Espaço Ciência.

A Nação Zumbi precisou fazer mais: contrariou a indústria que lhe deu as costas com um passo à frente, da afrociberdelia para o afrofuturismo. Rumou ao topo, Olimpo da inventividade, da independência por conseqüência, onde tradições são ressignificadas e a vida reciclada. Tão perto e tão longe é o lugar que a cultura popular é contemporânea. Onde a ciência de Chico vive.

10 anos depois, aos olhos do mundo, Recife já não é periférica. Urbana, caótica, a cidade não pára de expandir zonas autônomas temporárias, recriando núcleos contraculturais, subculturas pop, milícias da contra-informação. Com beleza fractal, adorna as impressionantes esculturas de lama que se erguem do seu cinema, tecnologia, música e artes marginais. Mangue, manguebeat, manguebit, assim solfeja a música universal brasileira.

Para finalizar, retorno para um dia de sol do longíquo 1988. Motivado pelo convite do amigo Mabuse, hoje uma das mentes do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife e mentor do Re:Combo, encarei a escaldante travessia, ida e volta, Recife – Olinda, a bordo do coletivo Candeias – Casa Caiada, para conhecer o Bom Tom Radio. Tratava-se de uma embolada que rimava música e tecnologia lo-fi engendrada por ele, Mabuse, Chico Science e Jorge Du Peixe. Voltei para casa com o verso “a cidade não pára a cidade só cresce, o de cima sobe e o debaixo desce” grudado na cabeça incendiada de idéias.

Clica aí no player para ouvir a gravação demo de “A Cidade” – um dos clássicos da Nação Zumbi, por Bom Tom Radio, uma etapa da gestação da CSNZ.

A Cidade – BomTom Radio by Impop

Posts relacionados (gerados automaticamente):

6 comentários

  1. Lucio K says:

    um passo a frente e vc nao está mais no mesmo lugar…

    abs e parabens pela matéria

  2. Leonardo says:

    Parabéns pelo texto. Falando nisso, tu sabe quais os planos da Nação para 2007? Além dos projetos paralelos (Maquinado, 3 na massa, etc…), vem mais coisa por aí? Li em algum lugar que os caras estão trabalhando num DVD da turnê do Futura!
    Abs.

  3. Opa Leonardo. Obrigado! Cara, fui num show da Nação aqui em São Paulo que estava sendo filmado. É possível que role alguma coisa, mas ainda não fiquei sabendo. Com certeza sai o disco do Maquinado. Quando encontrei Lucio, em Curitiba, durante o Tim Festival do ano passado, ele me disse que o disco já estava sendo mixado.
    Abs

  4. alexmono says:

    parabéns pela matéria e conheçam mais sobre a música de Recife visitando o site http://www.preamp2007.blogspot.com

    um abraço, Alex Mono

  5. Valerie says:

    Saudades da ciência do Chico…

  6. RT @carlosfreitas: Chico Science faria 44 anos hj. Seu legado e memória é um eterno retorno à (r)evolução http://bit.ly/chicosc -via @Impop

Comente