Campari Rock: Nação Zumbi – peso e originalidade

Nação Zumbi: show de originalidade no Campari Rock. Fotos: Charles Naseh

Com o desafio de encarar um público estritamente roqueiro, a Nação Zumbi não teve dúvida: disparou o seu maracatu que pesa uma tonelada. E o tiro foi certeiro. O afrofuturismo de baque virado dos pernambucanos do mundo expandiu os horizontes do Campari Rock para além do estereótipo rocker.

O estrondo de Hoje, Amanhã e Depois fez o chão de Atibaia tremer. O som muito bem equalizado colaborou para realçar os engenhos instrumentais da NZ, apesar da poderosa massa grave dos tambores. Assim as sutilezas rítmicas e instrumentais das músicas do “Futura”, CD recém-lançado pela banda, foram hipnotizando a platéia.

Para trazer o público de volta ao chão, o vocalista Jorge du Peixe alertou sobre as manipulações da propaganda política e o guitarrista Lúcio Maia ironizou o ex-presidente FHC, que disse, em entrevista no programa Jô Soares, ter enriquecido. “Como um funcionário público pode ficar rico?”, questionou Lúcio. Na seqüência, a providencial Propaganda: “a alma do negócio é você”. Junto ao Mission of Burma, que engrossou o coro dos anti-Bush, a Nação abordou o ativismo político, antes fundamental para os festivais de música, sem embalagem marketeira hoje tão comum nos mega-shows.

As evoluções da Nação Zumbi continuaram plugando o futuro, até mesmo com o movimento para o passado, fazendo releituras das músicas da fase Chico Science. Trouxeram de volta ao repertório Risoflora e a versão de Maracatu Atômico, de Jorge Mautner. A temperatura do festival alcançou seu nível mais alto e insuperável. Quando a Maré Encher, Blunt of Judah, Maracatu de Tiro Certeiro, Da Lama ao Caos conduziram a platéia à catarse. Disparado, O show do festival.

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