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Brasilintime: Batucada com Discos Aproveito a abordagem do último post, sobre o livro Cultura Livre, para tratar de música que vive sem copyright com o texto que fiz para o site iGPop. Foi sobre o show Brasilintime: Batucada com Discos. Vem a calhar também por prosseguir, de certa forma, com o debate sobre a cultura do remix.

Foram percussionistas os primeiros músicos? Para os privilegiados que assistiram ao Brasilintime: Batucada com Discos, no Sesc Pompéia, em São Paulo, dias 5 e 6 de maio, a resposta é sim. O show levou ao palco gerações distintas de bateristas, percussionistas e DJs nacionais e internacionais para provar a gênese percussiva da música popular.

O evento marcou a estréia mundial do filme de mesmo nome, dirigido pelo irlandês Brian Cross, conhecido como B+ no meio hip hop. A idéia de fazer um remix visual do encontro de mestres do ritmo começou em 2002, ainda sob o nome de Keepintime, quando foram filmadas as imagens deste Brasilintime: Batucada com Discos. O filme está em cartaz no Sesc Pompéia, gratuitamente, em São Paulo, até o dia 11 de maio.

No palco, dez bambas das baquetas e carrapetas – cinco bateristas e cinco DJs – batucaram por mais de duas horas, estreitando origens e fazendo de São Paulo uma babel de todos os ritmos. Houveram momentos de cacofonia percussiva, mas nada que superasse a atenção reverente da platéia.

Dos protagonistas originais, apenas Cut Chemist, DJ e produtor dos grupos expoentes do hip hop Jurassic 5 e Ozomatli, não compareceu. João Parahyba marcou presença, mesmo que só no final do show, pois estava do outro lado da rua, na choperia do Sesc Pompéia, com o seu Trio Mocotó.

Wilson das Neves, herói dos bateristas nacionais, que deu pulso a canções de muitos da nata da MPB, postou-se ao lado do co-inventor do afrobeat, Tony Allen. Com a serenidade dos mestres, conduziram polirritmias, trocaram idéias e sorrisos, principalmente quando Wilson fazia a cuíca chorar. Eles desdobraram ritmos para além do samba e do afrobeat.

O percussionista Derf Reklaw, fundador da lendária banda americana de afro-soul The Pharaohs, compôs uma dupla virtuosa com Mamão, baterista do não menos lendário grupo de jazz brasileiro Azymuth. O free jazz ganhou espaço na noite, principalmente quando Derf intervia com sax e flauta. Com ímpeto frenético, deram uma canseira nos ouvidos.

Coube aos DJs a reorganização e condução dos temas das batucadas. Atestando a evolução dessa nova classe de músicos, ou não-músicos, como queiram os puristas. São harmonizadores de sons e ritmos.

Com essa motivação DJ J-Rocc tirou dos toca-discos um trecho remixado de Água de Beber, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Acostumado com sua orquestra de DJs, os Beat Junkies, multiplicava sons entre colagens, scratches e manipulações febris ao lado do seu parceiro de projeto DJ Babu. Formaram o bloco de virtuoses pelo lado dos DJs e levaram mais hip hop para a noitada.

Já Madlib, incansável produtor, DJ, rapper e multi-instrumentista economizou na técnica das mixagens e deixou de lado o mix de hip hop e jazz que semeia em seus múltiplos trabalhos. Conhecedor da música brasileira – prestou tributo ao Azymuth com o Madlib Interprets Azymuth -, investiu na batucada digitalizada com recursos tecnológicos e ainda fez incursões melódicas, via sintetizador, que serviram de contraponto aos sons percussivos.

Com camisa do Corinthians, DJ Nuts fez jus ao sucesso de sua mixtape Cultura Cópia, recheada de clássicos da MPB setentista. Ele, DJ Primo e os maracatus de Pupillo, baterista da Nação Zumbi, compuseram o único tema ensaiado do show. O nome Brasilintime foi justificado. Empolgado, o mestre cerimônias da noite, o rapper Max B.O., colocou a sua rima à serviço da embolada típica das praças nordestinas.

Ao final, quando uma garota, possivelmente bailarina, encarnou os ritmos e adentrou o palco para saudar os mestres do ritmo, o ritual foi concretizado. A música como representação da vida, agente de celebração e união de povos, embalada pelos ritmos que remontam a história e projetam o futuro. Brasilintime foi um momento histórico.

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1 comentário

  1. Petra Schwarz says:

    Obrigada pela bailarina!
    Sou amante da música, irmã da dança, filha do rítmo&suingue, sobrinha da sincronicidade.
    Rito de passagem tal evento pra mim e meu corpo que ainda se recupera da luta-dança sem fim nos 5 minutos mais intensos que presenciei depois do parto de mio bello Lorenzo!
    Uma pena, a dança ser considerada como crime, e pude ver alí a real do panorâma deste seguimento, principalmente por saber que bastaria uma única palavra para enibir a truculência dos seguranças do Sesc.
    Enfim, massa parada não movimenta energia!
    Alemanega
    Alemã
    Nega
    Não
    Nega
    Lema.

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