Como homenageei Dylan, ano passado, quando do seu aniversário de 60 anos, tenho que fazer o mesmo para David Bowie! E não faltam motivos para tal. Arrisco dizer que a carreira do camaleão é até mais influente para o novo rock. Sem com isso acusar Dylan de retrógrado. Pelo contrário. A psicodelia folk de Bowie, por exemplo, é cara ao engajamento contracultural de Mr Zimmerman nos anos 60.
Até Bowie ser nocauteado pelo pop funcional dos tempos de yuppismo, justo depois de posar de inverossímil boxeador na capa do Let´s Dance, sua carreira conduziu o rock a um peculiar estado de arte.
David Bowie soube manipular as movimentações subterrâneas, musicalmente falando, trazendo-as à tona para subvertê-las. Desmontou jazz, minimalismo, atonalismo, eletrônica, krautrock, blues, funk, soul, reggae em fonogramas inéditos. Porém foi com a imagem que Bowie melhor utilizou a sua vocação dadaísta.
Como crítica e elogio, a ambigüidade e o transformismo marcaram os personagens encarnados por Bowie – Ziggy Stardust, Major Tom, Halloween Jack, The Thin White Duke.
Crítica ao poder industrial de manipulação – para tal até encarnou um ditador fascista.
Elogio à alienação como estado libertário da expressão. O camaleão Bowie: criatura inacabada de Kafka, Nietzsche e Orwell.
O vídeo, obviamente, se tornou um instrumento poderoso para David Bowie. Ao utilizar o videoclipe para promover singles, Bowie prestou mais um serviço pioneiro para a música pop. O fez por se sentir entediado com as dublagens em programas de TV como Top of The Pops. Daí surgiu a idéia de produzir um curta-metragem para divulgar “The Jean Genie”, clássica do álbum Aladdin Sane (72).
Bowie fez mais: tirou o rock da arena dando-lhe o teatro em troca. Deu a Iggy Pop uma jóia: Idiot; a Lou Reed uma pérola: Transformer. Presenteou o pop com vanguarda.
Aos 60 anos do homem que vendeu o mundo, os devidos parabéns.








amém, bowie