
Das páginas de Crumb passando pelo Mississippi e seguindo para as guitarras de Mali, Impop segue no tempo com o compasso do blues. O clima é de reverência para pôr em dia as homenagens a Ali Farka Touré e R.L. Burnside.
O bluesman africano, natural de Mali, traduziu até sete de março de 2006 o tráfego cultural da África para o mundo. Em seus nove discos (um deles em parceria com Ry Cooder, Talking Timbuktu) transformou distâncias em encruzilhadas, estreitando o caminho entre Mali e Mississipi. Apesar de ser conhecido nos EUA como John Lee Hooker americano, o seu blues-mantra que sobrepunha ritmos e vocalizações africanas à base do blues, sem utilizar padrões modais, devolveu o blues à África e o eternizou como um artista ímpar.
Ficou fácil o link com a alquimia do blues cheio de grooves e hipnose de R.L. Burnside, o bluesman americano que nasceu no colo do Mississippi delta blues e correu para os braços do rock e hip hop. Falecido em agosto de 2005, RL Burnside me rendeu uma das melhores entrevistas. Não com ele, infelizmente, mas com um discípulo dele: Jon Spencer. Foi em algum dia do mês de abril de 2001 durante o festival Abril pro Rock, em Recife. R.L. Burnside foi palavra chave para levantar o rosto de Jon Spencer do meio de sua barba e indisfarçável tristeza causada pela sua separação da musa Cristina Martinez (Boss Hog).
Burnside e Jon Spencer Blues Explosion gravaram juntos A Ass Pocket of Whiskey, em 96. No disco, etilizaram a trip lisérgica da Magic Band de Captain Beefheart com o gosto de pólvora do combinado de blues com punk. Spencer aprovou a definição e assim estava salva a entrevista. A vida já tinha valido mais a pena depois daquele antológico show do Jon Spencer Blues Explosion que foi encerrado com uma performance de Mr. Spencer abusando de seu Theremin.
Só vale linkar Afro de Jon Spencer Blues Explosion para engatar uma seqüência com Someday Baby, de Burnside, somado a todas as rimas, ritmos e muitas palavras de Lyrics Born (Quannum). E para fermentar o bolo de blues os múltiplos sons da África de Ali Farka Touré, destacando a proximidade que estabeleceu com os arraiais do nordeste do Brasil, certamente um outro tipo de blues. Assim o composto explosivo com gosto de celebração explode na boca. Sabor etílico no Impop. À Burnside, Ali Farka Touré e Jon Spencer, tim-tim!
Ali Farka Touré + R.L. Burnside + Jon Spencer Blues Explosion
Ali Farka Touré – Heygana e Instrumental
R.L. Burnside + Jon Spencer Blues Explosion – Shake ‘em on Down
R.L. Burnside – Someday Baby (com Lyrics Born)
Jon Spencer Blues Explosion – Afro







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