Detroit, África. Lugar de refundação do Afrobeat. Parece delírio. Exagero. Mas o que não falta no grupo Nomo é a polivalência, poliritimia, multilinguagens musicais e ambiente multicultural que caracterizou o gênero musical africano surgido nos anos 70. Tudo isso está em New Tones, segundo álbum da banda lançado pela Ubiquity Recordings.
Desde o Afro Cuban de Dizzy Gillespie e das experimentações jazzísticas de Miles Davis e Sun Ra que os americanos não transcendiam para além do seu rock, jazz, funk, hip hop. Nomo realinha a produção musical da américa para a militância destes que nos anos 60 proclamavam a origem africana das expressões musicais do país.
Não cabe, portanto, identificar o New Tunes como um disco de rupturas. A big band de oito multiinstrumentistas liderada por Elliott Bergman constrói pontes para o mundo das possibilidades sônicas e rítimicas do free jazz, funk, eletrônica e, obviamente, para a discografia do nigeriano Fela Kuti.
Todos os superlativos do Nomo explodem logo de prima na faixa Nu Tones. As músicas pulsam num compasso 6/8 conduzidas por melodias distintas e sobrepostas por saxofones, clarinetes, trumpetes, sintetizadores e instrumentos elétricos de percussão caseiros, batizados como electric sawblade-gamelan, no-tone e nu-tone cymbals. O congolês Konono nº1 é uma influência explícita. E a África, assim, ponto de partida.
Há uma brisa latina que sopra em Fourth Ward. Já New Song é uma improvável afro surf music que só não faz o chão tremer por que esse é o mérito do funk que racha com as guitarras de We Do We Go. O clima de psicodelia ganha cores fortes na cover de Book Of Right On, da harpista Joanna Newsom, diva do psych folk americano. Os limites dos sentidos já não existem aqui e o free jazz de Sarvodaya, faixa que fecha o New Tones, alcança fácil a transcendência.
New Tones é um disco à prova de distração. O Nomo, uma banda multiplicadora de ritmos, sons e idéias, que desocupam lugares comuns, rompem fronteiras e alteram a ordem do tempo.







[...] Nu Tones, segundo álbum do Nomo, lançado em 2007, já tinha dado o recado. Mas com “Ghost Rock” a banda foi mais além, ao personalizar as polirritmias caras ao afrobeat. Para tal recorreram ao elemento cultural, ou melhor, espiritual, mais do que ao técnico. Pois, segundo o líder da banda, Elliot Bergman, Nomo significa ‘música que afasta maus espíritos’. Se os abençoa, nos ouvintes causa efeito expansor. Brinda as mentes livres com um coquetel de vários modernos: estéticas que conectam evoluções rítmicas africanas, improvisos do jazz e o ruído das revoluções digitais/eletrônicas. Numa palavra: Afrofuturismo. [...]