A primavera musical

A Evolução da Música

A evolução da música - os 30 anos que mudaram a indústria musical para sempre

A primavera musical. Eterna estação. De clima favorável à criatividade. Ao cultivo de idéias livres. Uma utopia? Pode ser. Mas cada vez mais palpável. Hoje, o reflorescimento da música à luz da derrocada dos velhos padrões da indústria fonográfica é uma realidade, mais do que um debate.

As idéias, novos modelos de negócios musicais e principalmente uma produção musical intensa, diversa, florescem da reconfiguração das relações de poder e dos padrões estéticos antes ditados pelo mercado. Tais reconstruções de linguagens brotam da dinâmica em que o autor também é produtor. Ele é o meio. Esse foco conduziu os contratempos, texturas e harmonias de dois dos melhores discos lançados neste intenso 2011: Sonhando Devagar, de Kassin, e Moto Contínuo, de China. Foi a pauta do meu post semanal no blog Questões Musicais da Revista Piauí.

Como disse no post Remixofagia x Retromania, é a música no olho do furação da cultura digital, fomentando conteúdo colaborativo, inteligência coletiva e militando em prol da inovação. As alternativas estão escancaradas. Sempre estiveram. Mas nestes tempos inovações digitais, a indústria fonográfica esteve mais preocupada em punir seus clientes fieis e garantir sua farta fatia de lucro. Deu as costas para a economia criativa difundida pelos nichos, onde muitos e diversos produzem para muitos e diversos. Aí já viu: enquanto uns sugam, outros criam. Enquanto uns proíbem, outros compartilham.

Na época em que um post no Twitter vale um download de um disco (alô Emicida), em que a formação de uma rede vale mais do que uma posição no top 10 Bilboard, a fórmula do sucesso está em pleno processo de reformulação. Não são mais elaborados no balcão de negócios dos barões das majors e da mídia a música e os padrões musicais que serão repercutidos. Para o “mainstream”, a perda desse controle é uma ferida sem cura.

Uma revolução midiática

Cabe ainda a reflexão sobre o desmonte da estrutura midiática que, à serviço ou não da indústria fonográfica e alhures, contruia mitos e destruia carreiras. A tomada do poder midiático marcha nas redes sociais sob a bandeira do anarquismo.

Subtraindo o desespero das gravadoras e dos grandes grupos de comunicação, é uma notícia que agrada a todos. Principalmente aos músicos. Pelo menos deveria. É uma forma eficaz esta da divulgação voluntária, participativa, olho no olho, tweet a tweet, post a post, boca a boca. A rede é um ativo valioso que escancara a beleza de uma obra aberta – Multi, trans e crossmídia, sem obstáculos, sem intermediários, despida dos cacoetes marketeiros que cercavam/cerceavam carreiras musicais.

O crivo do público só contribui para o sucesso de cada nova estação de bandas, cenas, modelos e formatos musicais. Afinal, a opinião da crítica especializada já não é tão formadora de consenso, diante do aumento da ação opinativa disseminada através da internet: uma revolução midiática!

O meio internet revoluciona porque democratiza e, conseqüentemente, desmonta a hierarquização da informação e do acesso à produção musical. Aquele que antes acreditava nos críticos e na formação de consensos é agora o que opina, diverge e interfere no coletivo, numa indústria que vale 168 bilhões de dólares.

É importante perceber o que representa o mercado musical. E que ultimamente vem ocorrendo um aumento dos negócios relacionados à música. Crescem proporcionalmente às alternativas criadas a partir das revoluções tratadas aqui.

Obviamente que não se deve entender indústria fonográfica apenas como o meio de gravação, produção e vendas de discos, mas como um ecossistema sócio-cultural-musical. Abrange desde a produção de instrumentos à produção de shows, passando pela publicidade em rádios e tvs desenvolvimento de dispositivos portáteis de reprodução de música, softwares musicais, estúdios caseiros, formação de técnicos, produtores e músicos.

Para ilustrar essa pensata bagunçada, mando aqui dois conteúdos: um infográfico em forma de gif animado e um vídeo (produzido pela Simply Zesty) sobre a evolução da música. O declínio do vinil, o boom do CD, o surgimento da música digital e da era do compartilhamento, streaming, como a sociedade em rede mudou a música e a influência das plataformas sociais na forma com que as pessoais interagem a partir da música. Enfim, todas as mudanças que ocorreram nos últimos 30 anos e que mudaram a indústria fonográfica para sempre.

Vídeo: Evolução da Música – Estatísticas

As mudanças na indústria da música nos últimos 30 anos

Animated GIF: 30 Years of Music Industry Change
Dados extraídos da RIAA, Associação da Indústria de Gravação da América.

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