Para o funk soul brother Isaac Hayes

Por Carlos Freitas em 12/8/2008 às 1:34 am

Isaac Hayes (1942 - 2008)

O vídeo de “Walk on Bye” na home não encerra o tributo Impop a Isaac Hayes. Um dos pilares do funk & soul, junto a Curtis Mayfield, Marvin Gaye, Otis Redding, Al Green e James Brown, dono de uma voz barítona que dimensiona a profundidade de suas canções e a forma aguda com que se entrega a elas, Isaac Hayes deixa uma eternidade de clássicos para a história da música.

Clássico, aliás, é um conceito que se aplica à carreira e perfil do funk soul brother Isaac como sinônimo de obra definitiva, eterna, e pela classe de suas interpretações, sempre equilibrada no limite tênue entre paixão e razão. Assim, pelos crescendos arrepiantes dos arranjos de cordas da trilha que compôs para “Shaft”, praticamente definiu o DNA musical da blaxploitation.

É o detalhe que marca os ápices de suas músicas com um refinamento meticuloso e incomum. Coisa de mestre e de maestro dos sons da alma que foi. Tanto que Isaac Hayes leva para a eternidade a história de um punhado de hits que produziu e compôs para os acervos da legendária gravadora Stax, “versão” madura e politizada da Motown, que deve a Isaac Hayes o elo entre o soul e as manifestações políticas libertárias dos anos 60.

Hoje, no empenho de Sharon Jones & the Dap-Kings em reviver o soul dos anos 60 e 70, nas evoluções do circuito integrado de funk, soul e silício de Jamie Lidell, na batida desacelerada e pulso quase à zero do Portishead (pista: Glory Box), no ritmo e poesia dos Racionais (pista: Jorge da Capadócia), na “Disco Connection” que o LCD Soundsystem estabelece, a obra de Isaac Hayes mantém-se na pista, nos compassos do coração da música contemporânea.

Logo após o anúncio de morte de Isaac Hayes, domingo passado, 10/08, a história do mito Isaac Hayes e o seu legado na música tomou a web de assalto. Aproveito, portanto, para fazer a minha homenagem de forma compartilhada com a impopsfera, de onde catei links para dois dos clássicos de Isaac Hayes: “Hot buttered Soul”, o disco que tem Walk on Bye entre suas quatro longas, belas e complexas, experimentais até, pérolas soul, via Original Pinheiros Style, e “Black Moses”, via Lucio Papeiro. Na BBC busquei o doc obrigatório Stax History. Enquanto que da Fader baixei e aconselho o download do “DJ Wonder’s Isaac Hayes Tribute Live Mix”. Segundo a revista, comprova o status de ícone atribuído a Isaac Hayes.

E por fim, “Never Can Say Goodbye” ao vivo.

Rest in Peace, soul brother.

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