Situacionista - prática da revolução

Por Carlos Freitas em 31/7/2008 às 8:32 am

O uso que o Pram faz da psicogeografia, mesmo que intuitiva, ilustra a influência do Situacionismo nas mentes insubmissas à “sociedade do espetáculo”. O conjunto de práticas e teorias do extinto movimento continua sendo, ao meu ver, fonte de consulta perene, nestes tempos de aridez ideológica. O método situacionista citado no post anterior (Pram: música de arte e de combate), no caso, foi bem ilustrado pelo conceito de deriva, o qual apresento aqui com um trecho do texto Résumé, publicado em 56, assinado por Guy Debord e Jacques Fillon, respectivamente, fundador da Internacional Situacionista e editor da revista Potlatch.

“As grandes cidades são favoráveis à distração que chamamos de deriva. A deriva é uma técnica do andar sem rumo. Ela se mistura à influência do cenário. Todas as casas são belas. A arquitetura deve se tornar apaixonante. Nós não saberíamos considerar tipos de construção menores. O novo urbanismo é inseparável das transformações econômicas e sociais felizmente inevitáveis. É possível se pensar que as reivindicações revolucionárias de uma época correspondem à idéia que essa época tem da felicidade. A valorização dos lazeres não é uma brincadeira. Nós insistimos que é preciso se inventar novos jogos”.

Guy Debord
Guy Debord

Melhor mesmo, no entanto, para entender, difundir e manter acessa a chama do ideário situacionista, é ler “Situacionista - Teoria e Prática da Revolução”, livro que reúne os principais tratados da Internacional Situacionista, lançado no Brasil pela a Conrad. É a “trilha literária” recomendada por Impop para essa semana.

Afinal, “contra o espetáculo reinante, a cultura situacionista realizada introduz a participação total”.

“Contra a arte parcelar, será uma prática global que se dirija ao mesmo tempo sobre todos os elementos utilizados. Tende naturalmente a uma produção coletiva e, sem dúvida, anônima (pelo menos na medida em que, ao não estar as obras armazenadas como mercadorias, tal cultura não estará dominada pela necessidade de deixar traços)”.

“Ao ser, em um estágio avançado, todo mundo artista, isto é, inseparavelmente produtor-consumidor de uma criação cultural, se assistirá a dissolução rápida do critério linear de novidade. Ao se tornar todo mundo, por assim dizer, situacionista, se verá a uma inflação multidimensional de tendências, de experiências, de “escolas” radicalmente diferentes e isto não já sucessivamente, mas simultaneamente.”

Ou seja, o combustível que mantém a inteligência coletiva da rede blogueira global, a parte do tempo produtivo de nossas vidas que dedicamos à cultura livre e, por conseqüência, à criação de situações.

Situacionista - Teoria e Prática da Revolução
SITUACIONISTA - TEORIA E PRATICA DA REVOLUÇÃO
Coleção: BADERNA
Autor: INTERNACIONAL SITUACIONISTA
Editora: CONRAD DO BRASIL

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Comentários

One Response to “Situacionista - prática da revolução”

  1. Cineasta81 on August 9th, 2008 12:36 am

    Quero ver ser situacionista em brasília.
    Nessa cidade aqui se morre antes de chegar rss

Tem algo a dizer?