Jazz ‘n’ Tapes

Por Carlos Freitas em 6/4/2008 às 6:47 pm

E lá se foi Teo Macero, terça-feira, 19 de fevereiro, aos 82 anos. Segundo o New York Times, consumido por uma doença prolongada não revelada. Novaiorquino, músico saxofonista co-fundador da Charles Mingus Jazz Composers Workshop, Teo Macero dedicou sua vida ao jazz moderno atuando como compositor, arranjador e, principalmente, produtor. Atingiu o ápice da sua carreira quando impôs ao seu ofício um caráter autoral, de co-autor, digamos, na produção de álbuns clássicos da discografia de Miles Davis: “Kind of Blue”, “Sketeches of Spain”, “In a Silent Way”, “A Tribute to Jack Johnson” e “Bitches Brew”.

Como tributo a Teo Macero, abordo este último, “Bitches Brew”, lançado em 1970, marco redefinidor do jazz e inspirador de uma linhagem de complicadores da música (im)popular bem representada por Brian Eno, Bill Laswell, Jason Swinscoe, do Cinematic Orchestra, Amon Tobin, Mars Volta e Radiohead.

Bitches Brew ou Uma Nova Música é Possível

Miles Davis e Teo Macero Se em “A Kind of Blue” Miles já tinha mudado o rumo do jazz, em Bitches Brew deixou suas impressões digitais na história da música contemporânea reorientando-a para caminhos mais inventivos. Foi o inicio de sua chamada “fase elétrica”, um alerta ao mundo para a necessidade de se fundir supostas impossibilidades.

Evoluindo sob efeito de jams e incendiárias fusões entre o funk, jazz, rock, música flamenca e indiana, Miles contou com as pioneiras técnicas de gravação e edição de Teo Macero para dar forma às suas idéias alheias à convencionalismos. Com a banda formada por John McLaughlin, Chick Corea, Joe Zawinul, entre outras feras, Miles e Teo Macero impuseram ao álbum um som particular, idealizado a partir de texturas e experimentações sônicas, eletrônicas e atonais, sob influências de Sly Stone, Jimi Hendrix, Varése e Stockhausen.

Teo Macero sabia que por trás dos indefectiveis e instranponiveis óculos escuros de Miles Davis residiam olhos secos: suas lágrimas tinham sido dissolvidas em cool jazz; sua alma suspirava pelo seu trumpete e transformava o jazz em rock, o rock em hip hop, o flamenco “num tipo de blues”. A mixagem desse caos significou uma revolução musical.

Teo Macero convenceu Miles a “profanar” o ritual do improviso, conduzindo a prática vital dos jazzistas a um nível mais experimental. O fez com magia, operando sua mesa de oito canais. A arte de Mr. Macero consistia em cortar temas dos improvisos das jams sessions que Miles promovia para colá-los em uma outra seqüência que fizesse mais sentido, mesmo que isso pudesse significar o oposto.

Após cinco meses de gravação e estudo minuscioso de uma infinidade de rolos de fita, o resultado expressou o que Miles desejava: tornar “Pharaoh´s Dance”, “Bitches Brew”, “Spanish Key”, “John McLaughlin”, “Miles Runs The Voodoo Down” e “Sanctuary” obras abertas, sujeitas à novos diálogos. Essência do improviso jazzístico que é fundamento da música do século XXI.

Assim a vertiginosa intensidade criativa de Miles e banda foi preservada. Sua música continou à prova de redundâncias, sendo a melhor definição da sua urgente linguagem: Be Bop.

“Bitches Brew” continua indispensável para quem quer vislumbrar o futuro da música, com o poder que tem de transfigurar a realidade, criar outras. Este é o melhor atalho para a eternidade, onde residem definitivamente Miles Davis e Teo Macero.

Teo Macero comenta sobre Bitches Brew

No vídeo acima, Teo Macero fala sobre os cinco meses de gravação de “Bitches Brew”. Bem humorado, faz imitações impagáveis de Miles e explica os processos de criação e produção do disco. Lá pras tantas revela: “eu nunca estive de olho no momento, mas sim no próximo projeto. Eu sabia que tínhamos uma coisa em comum”.

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Comentários

3 Responses to “Jazz ‘n’ Tapes”

  1. Borboletas de Jade on August 1st, 2008 6:02 pm

    Carlos.
    Na soma do referido trecho realmente pertence ao seu blog. Tirei essse trecho de outra fonte d americana que provalvelmete copiou de vc e confeço que nao conhecia seu blog ate o momento. pois na verdade não sei quem é o dono do referido.
    a minha intenção é divilgar Miles Davis na melhor forma possivel. Já tive trechos de comentarios meu em outros blog tb.
    Mas o que vc pretende fazer?
    Aguardo sua resposta.
    Sr. Borboleta

  2. Borboletas de Jade on August 1st, 2008 6:05 pm

    Esqueci de disser:
    Posso retirar o trecho que te pertence na melhor das intenções, sem ressentimentos.
    Grato

  3. Carlos Freitas on August 1st, 2008 9:03 pm

    Opa. Velho, estamos juntos nessa de divulgar os sons de Miles. Sobre o que fazer com o trecho que tem parte do meu texto no seu post, você que sabe. Mas o espírito da rede blogueira manda linkar citações. Coloca o trecho o texto em itálico com um asterísco e o link para este post no final do teu post. Só uma sugestão. Sem ressentimentos. :)

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