Chico Science e o eterno retorno à (r)evolução

Por Carlos Freitas em 7/2/2007 às 10:03 am

Chico Science

Chico Science

À memória de Chico Science, o eterno retorno, conceito de Nietzsche, representa um ciclo evolutivo. Taí o legado que o mangueboy deixou para não me contradizer. Rende homenagem constante ao cientista dos grooves, porta-voz e caboclo-de-lança da guerrilha cultural que mudou a cara da música brasileira: o manguebit, uma revolução.

A revolução dos caranguejos com cérebro que revelou os zapatas, sandinos, zumbis do mangue, que agem localmente pensando globalmente: Pernambuco embaixo dos pés e minha mente na imensidão – já dizia Chico Science.

Assim retorno à lida com as letras musicais, para matar a fome de viver, com a devida, embora pareça tardia, homenagem a Chico Science, cujo aniversário de 10 anos de sua morte foi abordado de forma tímida dia 02 passado.

Entre o lamento e a lembrança necessária à memória cultural do Brasil, realço a inspiração da parábola do manguebeat: a biodiversidade dos manguezais, berçários naturais, uma alegoria à vida.

Como fazem Mundo Livre s/a, Mombojó, Cordel do Fogo Encantado, Otto, Eddie, DJ Dolores e todos que não deram a revolução por encerrada após aquele trágico acidente que tirou a vida de Chico, na fronteira entre Recife e Olinda, por trás do Espaço Ciência.

A Nação Zumbi precisou fazer mais: contrariou a indústria que lhe deu as costas com um passo à frente, da afrociberdelia para o afrofuturismo. Rumou ao topo, Olimpo da inventividade, da independência por conseqüência, onde tradições são ressignificadas e a vida reciclada. Tão perto e tão longe é o lugar que a cultura popular é contemporânea. Onde a ciência de Chico vive.

10 anos depois, aos olhos do mundo, Recife já não é periférica. Urbana, caótica, a cidade não pára de expandir zonas autônomas temporárias, recriando núcleos contraculturais, subculturas pop, milícias da contra-informação. Com beleza fractal, adorna as impressionantes esculturas de lama que se erguem do seu cinema, tecnologia, música e artes marginais. Mangue, manguebeat, manguebit, assim solfeja a música universal brasileira.

Para finalizar, retorno para um dia de sol do longíquo 1988. Motivado pelo convite do amigo Mabuse, hoje uma das mentes do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife e mentor do Re:Combo, encarei a escaldante travessia, ida e volta, Recife – Olinda, à bordo do coletivo Candeias – Casa Caiada, para conhecer o Bom Tom Radio. Tratava-se de uma embolada que rimava música e tecnologia lo-fi engendrada por ele e Chico Science, com participações eventuais de Jorge Du Peixe. Voltei para casa com o verso “a cidade não pára a cidade só cresce, o de cima sobe e o debaixo desce” grudado na cabeça incendiada de idéias.

Clica aí no player para ouvir a gravação demo de “A Cidade” - um dos clássicos da Nação Zumbi, por Bom Tom Radio. Também uma etapa da gestação da CSNZ.

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Comentários

4 Responses to “Chico Science e o eterno retorno à (r)evolução”

  1. Lucio K on February 7th, 2007 1:04 pm

    um passo a frente e vc nao está mais no mesmo lugar…

    abs e parabens pela matéria

  2. Leonardo on February 12th, 2007 12:36 pm

    Parabéns pelo texto. Falando nisso, tu sabe quais os planos da Nação para 2007? Além dos projetos paralelos (Maquinado, 3 na massa, etc…), vem mais coisa por aí? Li em algum lugar que os caras estão trabalhando num DVD da turnê do Futura!
    Abs.

  3. Carlos Freitas on February 14th, 2007 1:02 pm

    Opa Leonardo. Obrigado! Cara, fui num show da Nação aqui em São Paulo que estava sendo filmado. É possível que role alguma coisa, mas ainda não fiquei sabendo. Com certeza sai o disco do Maquinado. Quando encontrei Lucio, em Curitiba, durante o Tim Festival do ano passado, ele me disse que o disco já estava sendo mixado.
    Abs

  4. alexmono on February 19th, 2007 7:40 pm

    parabéns pela matéria e conheçam mais sobre a música de Recife visitando o site http://www.preamp2007.blogspot.com

    um abraço, Alex Mono

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