Bloco Anárquico dos Impopulares do Frevo

Por Carlos Freitas em 25/12/2006 às 12:02 am

Podouvir Música Impop - Bloco Anárquico dos Impopulares do Frevo

Dando prosseguimento ao post anterior, Saudade dá Frevo, vamos para as evoluções do frevo que pedem licença sem cerimônia com Eddie, Nação Zumbi, Sheik Tosado, DJ Dolores, Silvério Pessoa, Tom Zé, o maestro SpokFrevo, Sivuca (uma homenagem) e até com o trio violeiro Al Di Meola, John McLaughlin, Paco de Lucia.

Eles revelam o elo perdido entre o frevo e a contemporaneidade pop, descendo e subindo ladeiras, por entre esquinas de jazz, rock, MPB, ska, hardcore, maracatu. Tudo recombinado: com Pau do índio, caipirinha e azougue, sujeito à ressaca, mas com o gosto da inovação, daqueles do tipo que não enjoam.

A convocação dos contemporâneos do frevo está feita. Vamos ao passo, um passo à frente, pois assim, como disse o grande Science, “você não está mais no mesmo lugar”. Ao passeio no mundo livre, pois!

Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas - “Marcha nº 1″
Tá bom. Tem que começar varrendo, rasgando. Chama o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas. A “Marcha nº 1 do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas” e seus 97 anos de história é mais popular que qualquer música dos Beatles, durante os dias de Momo.

Nação Zumbi – “Quando a Maré Encher”
A caixa continua dobrando. O riff de guitarra emula o som dos clarins de Momo. Assim a Nação Zumbi moderniza o frevo e abre alas com o estandarte do futuro. É uma evolução musical. A evolução número 1 do novo frevo é de autoria dos olindenses do Eddie.
CD: Nação Zumbi - “Rádio S.AMB.A.”

Eddie – “Não vou Embora” e “As Flores e as Cores”
Adaptando a letra de “As Flores e as Cores”, de Fábio Trummer, o frevo é o mesmo, sendo que só com sons, cores e flores diferentes. É tocar para ver Olinda inteira descendo a ladeira. Posso até ouvir o barulho, o coro da ladeira do Amparo: “ficávamos sentados ao sol, vendo flores brotar em nossas peles”. Frevo é psicodélico, tem cores vivas. É Metropolitano, novo baile do Eddie.
CDs: “Original Olinda Style” e “Metropolitano”, ambos do Eddie.

Sheik Tosado – “Hardcore Brasileiro”
A ex-banda de China confundiu tudo: conceito, preconceito, tradição, evolução.
Pra que bater cabeça com três acordes e batida acelerada do punk se temos a alta rotação insana do frevo desafiando os limites do corpo e as convenções sociais? Frevo é anarquia. É puro punkrockhardcore. Grita, China: “hardcore brasileiro é o frevo!
CD: Sheik Tosado - “Som de Caráter Urbano e de Salão”

DJ Dolores – “Abertura”
DJ Dolores acelera a marcha para levar o som de caráter urbano e de salão para o terreiro do sertão, com bits, digital grooves, rabeca e trobone.
CD: “Narradores de Javé Remix – Instituto vs DJ Dolores”

Tom Zé – “Frevo” e “Taka-tá - Revolta Banta”
E o iraraense notável freva com os passos e verve de Capiba. Ferve ao ponto de fusão. Sobrinha à mão e frevo no pé, constrói e desconstrói a canção. “Frevo” é um pecado quente e “Taka-tá - Revolta Banta” destila o banzo dos bantus.
CDs: “Se o Caso é Chorar” e “Danç-Êh-Sá – Dança dos Herdeiros do Sacrifício”

Al Di Meola, John McLaughlin, Paco de Lucia – “Frevo Rasgado”
O Trio aloprado de violonistas faz a devida conexão ibérica, com as heranças dos árabes na Espanha e em Portugal, fundamentais para a formação da cultura popular do nordeste do Brasil. Dramatizam a música do ministro Gil com toda a paixão flamenca.
CD: “Friday Night in San Francisco”

Silvério Pessoa – “Micróbio do Frevo”
Silvério faz tributo ao frevo elegendo o forrozeiro paraibano Jackson do Pandeiro ao posto de mestre do gênero, ao lado de Capiba e Nelson Ferreira. Desmente a tradição oligárquica do carnaval remexendo o frevo com doses frenéticas de ruídos contemporâneos.
CD: “Batidas Urbanas - Projeto Micróbio do Frevo”

SpokFrevo – “Frevo Sanfonado”
A festa independe de sofisticação, mesmo com toda a classe, todos os metais perfeitamente tocados e maestralmente conduzidos por Spok. Na pista, “Frevo Sanfonado”, frevo de Sivuca.
CD: SpokFrevo Orquestra – “Passo de Anjo”

Sivuca – “Come e Dorme”
Procure uma sanfona no frevo e verás Sivuca tocando o hino do Náutico, composto pelo tricolor Nélson Ferreira. O albino paraibano fez Miles Davis reconsiderar sua visão sobre o instrumento: “finalmente encontrei alguém que me fizesse fazer as pazes com esse maldito instrumento que se chama acordeão”. Aqui vai uma homenagem póstuma ao grande mestre da sanfona e acordeão que não via limite entre gêneros musicais e ao Náutico, meu time do coração, que sacodiu a poeira e deu a volta por cima, levando o frevo de volta para os campos da primeirona do Brasil!
CD: Sivuca – “Forró e Frevo Vol. 2″

Artigos relacionados

Comentários

One Response to “Bloco Anárquico dos Impopulares do Frevo”

  1. João Victor on February 7th, 2007 8:10 pm

    trabalho sobre o carnaval

Tem algo a dizer?