O novo mundo dos comuns criativos

Por Carlos Freitas em 28/6/2006 às 9:30 pm

Creative Commons

Como costumo manter uma certa continuidade de temas aqui no Impop, aproveito os remixes do Eletrocooperativa (post anterior) para falar sobre o iSummit, evento realizado no Rio de janeiro neste último final de semana. Afinal, sempre vale a pena repercutir algo que trata de produção, compartilhamento de conhecimento cultural, tecnológico, propriedade intelectual e, claro, cultura do remix.

O bate-bola foi promovido pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio e o Creative Commons Internacional. Contou com a presença de instituições como a Wikipedia, Google, Electronic Frontier Foundation, Open Society Institute e foi prestigiado por gente fina como Lawrence Lessig, autor do livro Cultura Livre e criador da Creative Commons, e o ministro da Cultura, Gilberto Gil.

O workshop “Music, video and multimedia - The Cultural Commons”, coberto pelo Fábio “Gerador Zero”, fez a galera vibrar e ganha espaço aqui pela abordagem musical. Destaco a decisão da Rádiobras, empresa estatal de radiodifusão, de disponibilizar todo o seu conteúdo pela licença Creative Commons. Também caiu bem a exposição do presidente da Trama, André Sjazman. Disse que a gravadora tinha mudado o foco dos negócios para o artista e ao final disparou contra o uso dos gerenciadores de conteúdo digital - DRM: “we don´t believe in DRM”.

E por falar em DRM, o Trabalho Sujo do Alexandre Matias apontou “A Declaração Rio 2006 sobre Gestão de Direitos Digitais” como causadora de frisson quando declarada ao final do evento: “propõe a substituição do atual modelo de indexação de obras digitais pelas licenças Creative Commons”.

A força do movimento dos commons foi realçada com parceria firmada com a Microsoft. Na cerimônia de abertura do iSummit, a vilã das iniciativas de flexibilização dos direitos autorais e disseminação do software livre, anunciou o “Creative Commons Add-in for Microsoft Office”, um plugin que habilita no Office a opção de registro de direito autoral pelas licenças Creative Commons. O primeiro documento licenciado com a funcionalidade foi o texto da conferência do Ministro Gilberto Gil.

Ativistas do Estúdio Livre reagiram distribuindo narizes de palhaço em protesto ampliado às políticas de Bill Gates. Já Lawrence Lessig reagiu de forma mais positiva: “and I’m very glad they’re on the right side of this issue too. Giving creators the tools to mark their creativity with the freedoms they intend it to carry is a fantastically good thing to do.”

Para fechar o evento, os debates ganharam formas artístico-musicais independentes. O Teatro Odisséia, na Lapa, recebeu os vídeos-manifesto dos VJs do Media Sana, os dubs cheios de brasilidades de BNegão e os Seletores de Freqüência e Lucas Santtana, destacado aqui no Impop no post sobre Eletrocooperativa, como DJ. Todos criativos comuns. Todos Impop.

O único senão ao iSummit foi o fato de de ter sido restrito a convidados. Ora, estamos todos aqui jogando no time da cultura livre.

Artigos relacionados

Comentários

Tem algo a dizer?