Mutantes
Por Carlos Freitas em 14/6/2006 às 10:36 pm

Ronaldo em campo como um boxeador nocauteado, como disse o Juca Kfouri. A seleção abandonada pelos deuses do futebol, tratada como humanos pela vizinhança rival argentina. E os Mutantes sem Rita Lee, sem ácido e com Arnaldo Baptista fora de tempo, o que seria?
Perdoem-me a cacofonia do gancho infame, mas a atuação do Ronaldo contra a Croácia serviu para Impop linkar a volta dos Mutantes. Nos dois casos, tem-se a representação de um Brasil desfalcado e desfigurado. Da seleção brasileira sem arte e Ronaldo sem futebol e da nossa principal banda de rock sem a sua irreverência contracultural.
A versão dos Mutantes para gringo ver, desfalcada de Rita Lee e Liminha, corre atrás da fama perdida, embalada pela nostalgia tropicalista deveras reverente que paira no outro lado do atlântico.
Mas não seria algo sensacional o reconhecimento gringo? Sim, para quem por aqui amplifica o complexo de vira-latas (alô, de novo, Nélson Rodrigues) cultural. É a razão da nova adoração nacional pela banda dos irmãos Baptista, Sérgio e Arnaldo.
Não é novidade que se não fosse a adoração de Kurt Cobain, Jello Biafra, David Byrne, Beck, ninguém por aqui aceitaria os Mutantes como “a mais importante banda psicodélica de todos os tempos”. Foi assim que a reviste Time Out apresentou o grupo na ocasião do show realizado no centro cultural Barbican, Londres, em 22 de maio. Recentemente, a conceituada revista Mojo incluiu o álbum Os Mutantes entre os 50 mais experimentais de todos os tempos.
Se as lógicas dos movimentos fossem outras, as cores psicodélicas da Swimming London e a contracultura dos anos 60 teriam sido reforçadas pelas experiências psicodélicas e revolucionárias da turma do sítio da cantareira. Pelo menos Os Mutantes marcaram profundamente a música brasileira. Deram cores vitais ao tropicalismo.
Mas, tá bom, a “volta” dos Mutantes não foi oportunista, mas também não foi oportuna. Diria que um ajuste da história: uma chance ao mundo pop acertar suas contas com a mais importante banda de rock brasileira e, sim, fundamental do rock psicodélico mundial.
O hype tardio pelo menos promoveu relançamentos providenciais da discografia dos Mutantes. Por obra da gravadora Light In The Attick, a discografia do grupo está de volta ao mercado para, quem sabe, plantar nas mentes rockeiras a cura dessa amnésia criativa reinante.
No embalo das reedições Impop destaca A Divina Comédia dos Mutantes, a biografia publicada pelo jornalista Calos Calado, para reforçar o tamanho da importância do grupo para cultura pop global.
Entre revelações preciosas, chama atenção o machismo da banda e de parte da imprensa. Norteia o entendimento da forma condescendente que foi tratada a ausência da Rita Lee da versão 2006 dos Mutantes.
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[...] Já tinha tratado sobre o hype criado em torno da volta dos mutantes. Mas vale a pena repercutir o rebuliço que causou o lançamento de uma coletânea sobre Tropicália, em razão de ter sido justo onde bate o coração dos brasileiros que respiram e se alimentam das idéias, vida e cultura dos brits… Segundo a influente crítica musical anglo-saxã, a coletânea Tropicalia: A Brazilian Revolution In Sound é Top 1 deste ano e a quinta mais de todos os tempos. [...]
Acho a volta oportunista e inoportuna, embora respeite-os como músicos. E Zélia está deslocada. Deveriam assumir que expulsaram Rita Lee do gupo, e que morreram de inveja do sucesso dela, sempre afirmando que ela é “raquítica em música”, como disse Arnaldo.
Tá lá no You tube, num daqueles vídeos. É só procurarem.
gostei da banda quero escutar as musicas