Violência como princípio é o fim da guerra
Por Carlos Freitas em 15/5/2006 às 7:19 pm
Impop com impressões urbanas hoje, por motivos óbvios.
São Paulo, 15 de maio. Dia de horror. Criminosos organizados do PCC prosseguem com uma operação de terror e assalto à cidade, enquanto os policiais atordoados diziam que não tinham sido alertados e o governador (?) dizia que tudo estava sob controle. A cidade fervia pelas chamas do terror.
A política de segurança pública da maior capital do país reflete o caos do dia. Além de caótica, é derrotada e medieval. Concordo com João Luís Duboc Pinaud: “a tática do confronto só aumenta a violência”.
A guerra está nas ruas: bandidos matam e alastram o terror. Aparentemente, a ação parece querer atestar o crime no poder, a proclamação da derrota das instituições de segurança. A guerra está nas casas da classe média pra cima: li nos fóruns e blogs muitos clamarem pela pena de morte, destruição dos pobres, coisas que beiravam o nazismo. Ódio pelo ódio e daqui ninguém sai vivo. Mas parece que é do que se nutre essa sociedade. Ninguém entende nada. O caldo é o pânico latente da sociedade do medo e a barbárie da violência que se alastra pelos campos de futebol, ruas, presídios, política, poder. Este não é o caminho da normalidade. Falando nisso, e amanhã, tudo volta ao “normal”?
Como diz, num outro contexto, o ex-secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, antropólogo e cientista político Luis Eduardo Soares: (…) “No dia seguinte, a dinâmica criminal se reproduz e nada muda, do ponto de vista das dinâmicas criminais. O que muda é o estado de espírito dos grupos sociais subalternos que sofrem as violações e contra os quais se intensificam os preconceitos: aprofunda-se o ressentimento, corroendo a legitimidade das instituições públicas”. O trecho foi extraído da matéria/entrevista “Vítimas que se tornam algozes”, de José Castello, publicada no site No Mínimo. A entrevista é com Luis Eduardo Soares, que fala sobre o livro Elite da Tropa, escrito por ele em parceria com os policiais militares André Batista e Rodrigo Pimentel. O livro e a matéria/entrevista são leituras recomendáveis para uma necessária reflexão sobre segurança pública e para o entendimento de situações de violência como a que está sendo vivida em São Paulo.
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