Burnin’, o disco
Por Carlos Freitas em 12/5/2006 às 5:45 am
Burnin é o melhor disco de Bob Marley & The Wailers, para mim. Lançado em 1973, apenas seis meses após a fornada de Cath a Fire, tem tensão revolucionária e criativa. Nesse aspecto, como uma conseqüência normal do conflito de talentos. O disco que colocou nas ruas do planeta I Shot Sheriff e Get Up, Stand Up também revelou definitivamente os talentos artísticos de Bunny Wailer e Peter Tosh.
Para muitos, era um desperdício Bob, Bunny e Peter juntos numa banda só. O dito só faz sentido se para justificar o racha que se deu logo depois, em 74. Mas os três juntos tiraram de seus dreads pérolas da música pop em Burnin. Bunny (Neville Livingston na época), irmão mais chegado de Bob Marley, colaborou com Hallelujah Time e Pass It On. São daquelas músicas que promovem resposta física à arte. Poéticas em todos os aspectos, da sutilidade com que os ritmos se confraternizavam em suas harmonias até os falsettos entoados por Bunny como se estivesse cantando pela garganta de Curtis Mayfield e Otis Reeding.
Peter Tosh colaborou com One Foundation. Os poucos segundos de alegorias psicodélicas da sua na introdução já foram suficientes para identificar seu toque autoral. Prenunciou as chamas de Legalize it, seu disco de estréia lançado em 76. Sem contestar a qualidade das canções que renderam recorde de vendas na Jamaica, o mérito do disco foi ter sido motivador da fundação da banda Word Sound and Power. Peter Tosh revelava ali dois gênios dos grooves: Sly Dunbar e Robbie Shakespeare. Arrisco dizer que a dupla personalizou a legenda Drum and Bass.
Enfim, Burnin acendeu a tocha do inconformismo que gera idéias e libertação. Naquela época de ressaca do hippismo, Bob Marley & The Wailers fizeram um atestado da saúde revolucionária da música.
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