Campari Rock: Ira! - 25 anos de rock nacional

Por Carlos Freitas em 11/4/2006 às 10:15 pm

Ira! - 25 anos dedicados ao rock nacional. Fotos: Charles Naseh

o Ira! encarou a pedreira que é tocar depois da Nação Zumbi usando a experiência de 25 anos de estrada, com alguns clássicos do rock nacional na manga, competência instrumental e uma boa dose de raiva. E fez efeito.

Logo trataram de recuperar Train in Vain do The Clash, uma das principais influências do grupo, com uma versão (Pra Ficar Comigo) instigada. A balada Girassol também ganhou peso com os riffs incidentais que colidiram Aquarela do Brasil com Smoke on The Water, do Deep Purple.

O experimentalismo pop do Ira! está afiado. É uma tendência da banda. Os arranjos das músicas foram enriquecidos de temperos latinos e dançantes com a entrada da percussionista Michele Abu, parceira de Scandurra no projeto experimental-eletrônico Benzina a.k.a. Para confirmar a sede por novas trilhas, Muito Além revelou uma intenção psicodélica, incrementada por sons sintetizados.

O requinte instrumental do Ira! é notável, porém resvala no excesso de preciosismo. Ao melhor (pior) estilo Dire Straits, as músicas ficavam com finais intermináveis. O público terminou dispersando. Até quando Scandurra resolveu desfilar o seu repertório de experimentalismos guitarrísticos. Foi o que se viu em Vitrine Viva, quando orquestrou ritmos e ruídos com o plug da guitarra e efeitos wah-wah.

O caminho estava aberto para a versão de Foxy Lady, de Jimi Hendrix, e para o final apoteótico com Envelheço na Cidade. Antes, Edgard festejou os 25 anos de carreira da banda e aproveitou para vociferar contra os críticos: rock de tiozinho é o caralho!

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